A história da Monareta Mirim

Catálogo Monark – Monareta Mirim 79

Neste post vamos trazer a história da Monareta Mirim, uma simpática Bicicleta infantil da Monark.

Este modelo de bicicleta, uma versão menor da Monareta de aro 20, teve início junto com sua irmã maior, em 1967, herdando seu desenho da maior.

Publicidade Monark – Monareta Mirim 67

A principal característica que a distinguia da sua irmã maior era o seu selim, tipo banana, assim como a ausência da garupa.

Esse estilo muito provavelmente influenciou nas Monaretas colombianas, que inicialmente tiveram uma grande influência estilística da nossa primeira Monareta – aqui conhecida por Gemini e lá como Riviera.

Monareta colombiana – Riviera

A razão pelo qual nossa primeira Monareta Mirim adotou esta concepção, a meu ver, foi devido a anatomia da garupa, onde num eventual acidente, poderia causar danos ao jovem condutor. 

Monareta Dobramatic Mirim 74

Talvez por esta razão a Monark, assim que trouxe a nova versão da Monareta Mirim, procurou preservar o mesmo quadro, com garupa quadrada, até o final de sua produção, por ser mais bem idealizado em termos ergonômicos.

Catálogo Monark – Monareta Mirim 76

Em Janeiro de 1971, poucos meses depois de lançar a nova Monareta de aros 20, que coexistiu com a Gemini na série Olé 70, a Monark lança sua nova Monareta Mirim, tornando-a mais semelhante a irmã maior, pois conta agora com garupa (quadrada) e selim simples (flutuante).

Entretanto, existem diferenças bem sutis em relação a primeira, de 1971, com a da última geração, conforme demonstrado na ilustração abaixo:

Monareta Mirim 1971 x 1982
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Publicidade Monark – A construção de uma marca

Nesta postagem vamos mostrar a história da Monark brasileira, sob o olhar da propaganda. Entretanto, para começar é preciso contar um pouco a história da publicidade nacional.

A história da publicidade brasileira

 A propaganda no Brasil começa bem lá atrás, onde mascates, ambulantes e tropeiros eram os primeiros vendedores, anunciavam seus produtos de porta em porta, contando com muita habilidade na demonstração das virtudes e qualidades de seus produtos.

E assim as coisas foram se seguindo, onde as ferramentas de divulgação através da imprensa foram se atualizando.

Dando um salto até o século XX, nos anos 50, com a chegada da televisão, pelas mãos do pioneiro Assis Chateaubriand, em 03 de Abril de 1950, a TV se juntaria ao Rádio e os Jornais como meio de informação e entretenimento, mas também como uma excelente ferramenta de comunicação, onde a publicidade seria ainda mais incisiva e pertinente.

A maneira como o anúncio se daria, o modo como o anunciante o venderia, seria a razão pelo sucesso ou fracasso do produto. É diante desta perspectiva que vamos contar a história da Monark, através da publicidade.

A história da publicidade da Monark

A Monark, desde os primórdios, em seu país de origem, sempre se mostrou muito atenta a este meio de divulgação de seus produtos.

Em suas primeiras propagandas, exaltava as virtudes do meio de transporte, sobretudo diante da crise que assolava o mundo, motivada pela Primeira Guerra Mundial.

Mas depois da Segunda grande guerra, o mundo buscava se reerguer, e com a Indústria de bicicletas as coisas não eram diferentes.

A Monark procura por novos mercados, onde as parcerias com outros Fabricantes e revendedores da marca seria fundamental. Diante desta necessidade ela investe no continente americano, desde o norte até o sul.

É diante deste cenário que surge a Monark Brasileira, onde outrora eram comercializadas Bicicletas suecas da marca, à partir de 1948 era fundada a Fábrica de Bicicletas Monark do Brasil.

A Monark brasileira aprendeu direitinho com a Sueca, e já na sua inauguração promoveu um grande evento, contando, inclusive, com a participação do cantor consagrado Nélson Gonçalves.

A propaganda sempre foi marca registrada da Empresa, colocando sempre em evidência as qualidades dos seus produtos.

 

Outra característica da publicidade da Monark era sempre a sacada com os temas que estavam em alta no momento do País.

Seus produtos passaram a ser classificados por temas que estavam em evidência, marcando as séries de suas Bicicletas para cada ano. Por exemplo, a série 2001, que era referente ao ano de 1969, onde todas as bicicletas produzidas neste ano pertenciam a esta série. Aliás, a história desta série é muito interessante, pois estávamos vivendo na contagem regressiva da chegada do homem a lua, a ficção científica estava a todo vapor e o próprio nome, 2001, fazia alusão ao filme clássico do universo Si-fi: 2001 – Uma odisseia no espaço.

Outra característica marcante da Monark, no que diz respeito a publicidade era a exaltação ao extremo da qualidade e tecnologia empregada em seus produtos.

Prova disso é a propaganda acima, onde dizia que a Monark Galáxia 67 era a Bicicleta mais moderna do mundo. Vale dizer que, à época, a Empresa costumava mudar o nome das bicicletas de acordo com a série em relação ao ano, num mote publicitário claro de sempre manter atualizado seus produtos.

Com a chegada da Monareta, em 1967, a Monark começaria a mudar o modo como apresentava suas Bicicletas. Passaria a dar ênfase ao nome da bicicleta, mas continuaria a preservar as séries, por exemplo, Monareta olé 70, Monareta Brasil luxo 71, Monareta Águia de Ouro 72, etc.

Em 1978 a Monark deu um salto gigantesco na publicidade, com o lançamento da BMX no Brasil. Era a inauguração de um novo conceito de Bicicleta e também de uma nova categoria esportiva, o Bicicross.

A Empresa investiu na propaganda, na criação de grupos de ciclistas, na construção de pistas, no incentivo e no transporte dos participantes.

Na época, início dos anos 1980, a Empresa, juntamente com a Caloi, eram as soberanas no mercado de bicicletas, o que a fez diminuir o volume de publicidade, pois o sucesso já estava consolidado. Mas diante o lançamento de um novo produto por parte da rival, a Monark imediatamente contra atacava, com produtos de qualidade, do mesmo segmento.

Publicidade Monark BMX – ênfase da marca mostrando ser a melhor diante da rival Caloi e sua Caloicross

E assim seguiria, sempre procurando dar uma resposta a altura diante dos lançamentos da Caloi, inclusive se lançando na retomada da fabricação de Ciclomotores, onde a Caloi trouxe a francesa Mobyllete e a Monark ressuscitou a Monareta, num duelo que se estendeu até o final dos anos 80.

Publicidade Monark do Ciclomotor Monareta

Mas a década de 1990 não seria fácil, a chegada de novos Fabricantes, após a abertura de mercado para as Empresas estrangeiras, começaria a diminuir as vendas, assim como a publicidade.

Na década seguinte a publicidade praticamente inexistente, onde a Empresa poderia se valer da internet para se promover, assim como contar sua história, quase não utiliza esta ferramenta, ao contrário da Caloi, que se mostra antenada as novas mídias.

 

A história da Monark na Colômbia

Nesta postagem vamos buscar trazer o máximo possível de conhecimento histórico sobre a Monark na Colômbia, e seus modelos. Mas para isso faremos aqui uma breve análise do ambiente Colombiano da época.

A febre do ciclismo na Colômbia

No início da década de 1950 se deu início na Colômbia o que alguns historiadores locais chamaram de “febre do ciclismo”. Em diversos Jornais da época, valendo-se do interesse nacional, publicaram vários artigos, desde histórias de ciclistas amadores, até conceitos técnicos para otimizar o uso da bicicleta.

Quase instantaneamente ciclistas amadores tomavam as ruas com suas Bicicletas, promovendo inicialmente uma desordem no trânsito das grandes cidades Colombianas, como Bogotá. Num segundo momento esta euforia fez surgir a primeira Vuelta da Colômbia, em 1951.

Vuelta da Colômbia, em Bogotá, anos 60

Este tipo de competição, uma espécie de maratona sob duas rodas, contava com a nata do ciclismo da Colômbia, assim como os amadores, que colocariam de modo consistente, suas habilidades a prova.

Passagem da Vuelta da Colômbia pela região central da Colômbia

Esta competição se iniciava e terminava em Bogotá, passando por estradas e rodovias, na região central do país.

Em menos de 10 anos alcançou status nacional, com audiência maciça, nos meios de comunicação da época. A Volta da Colômbia tornou-se um evento tão importante que despertou o interesse dos anunciantes.

É diante deste cenário que surge a Monark.

A história da Monark na Colômbia

A Empresa Sueca, também conhecida como Cykelfabriken Monark AB, já flertava com a América do sul a alguns anos, sobretudo no Brasil, onde exportava seus produtos até 1948, passando a fabrica-los desde então, assim como na Colômbia, onde também os exportava.

Antiga Fábrica da Monark em Cali

Em 12 de maio de 1951 nascia em Cáli, a Fabrica de Bicicletas Monark da Colômbia S.A, onde passará a construir boa parte das peças e montar as Bicicletas Monark, sob o acompanhamento técnico da Empresa Sueca.

Adotando uma prática comum da Empresa em todos os Países que atua, a Monark ressaltava suas qualidades mediante a publicidade, assim como também patrocinando e participando de eventos, como a Volta da Colômbia, onde entre outras coisas, destacava a resistência e durabilidade das suas Bicicletas, já postas a prova em competições em seu País de origem, a Suécia.

A Empresa também objetivava os diversos nichos de consumidores, apresentando em suas publicações (como a acima) seus modelos destinados aos variados tipos de uso.

Sua já destacada qualidade, associada a uma forte publicidade, tornaram a marca muito querida no País.

Publicidade Monark anos 60

Inicialmente a Empresa trazia em seu portfólio modelos já consagrados na Suécia, como as  da linha Turismo, Speed, as masculinas e femininas, e as de carga, ambas com aros de 28″.

No decorrer dos anos a Empresa focou em desenvolver produtos específicos para o país, atendendo uma necessidade, mas também observou uma tendência crescente Mundial, a das bicicletas para adultos com rodas pequenas.

Monareta Riviera

Este fenômeno mundial, talvez o maior em mais de um século de Bicicletas, conforme já havia dito em postagem anterior, nasceu na Inglaterra, na Fábrica Mouton, com um modelo em forma de”F”, inicialmente para modelos portáteis (dobráveis) mas que em diversos países se transformaram em modelos sem essa opção, como no Brasil, por exemplo.

Embarcando nessa oportunidade, a Monark Colombiana passa a desenvolver sua linha de bicicletas para atender a este segmento. Baseando-se nas linhas adotadas na recém criada Monareta Gemini, assim como nas Bianchi chilenas, mas com origem italiana, cria seu primeiro produto, a também chamada Monareta, apresentada nas versões Standard, Super, Especial e Junior.

Cidade de Cali, anos 70

Interessante dizer que, diferente do Brasil, a marca Colombiana promove seus produtos de aros 20″ voltadas especificamente ao público jovem, haja visto que abriam mão da garupa, adotando Selin banana, ou Mustang, como alguns modelos Crescent suecos, mas também inspirados na também recente linha dragster ou Chopper, criadas nos EUA.

Ao longo dos anos a marca se consolida no segmento e atualiza seus produtos, buscando claramente inspiração na brasileira Caloi Berlineta.

Com esta atualização vieram também novos modelos, como a Super C, a Galáxia, a Monarkros, entre outras.

Infelizmente, devido a ausência de maiores informações, é difícil informar com exatidão quais modelos e em que ano foram concebidos.

Mas a ausência destes dados não diminuem em nada a história de sucesso da Monark Colombiana. Como disse o esportista Colombiano Martín Emílio Rodríguez Gutiérrez, em entrevista de 2012: “As Bicicletas Monark não eram apenas um ítem de presente para datas especiais, mas um meio de transporte, uma ferramenta para trabalho e uma equipe de vencedores”.

A história das bicicletas de rodas pequenas

Atriz da Série clássica Star Trek numa Bicicleta Moulton

Neste post vamos trazer a história do segmento de Bicicletas ao qual pertence a nossa Monareta, que possuem aros 20″ ou mesmo 16″.

Apesar de, em muitas situações, serem encaradas como Bicicletas para crianças, estas Bicicletas foram concebidas para adultos, de uso misto, onde em tese surgiram como folding – dobráveis em inglês, como a Graziella abaixo (saiba mais na postagem anterior).

Graziella da Itália

Entretanto, à partir de 1962, as coisas começam a mudar, quando uma Fábrica Inglesa, a Moulton, apresenta uma bicicleta revolucionária, na forma e no conceito. Seu quadro (foto que abre este post) era em forma de “F”,  seus aros de 20 polegadas, sua prática garupa, fácil de guiar e não era dobrável, a tornou num fenômeno imediato, que fez com que diversas Fábricas ao redor do mundo se valessem da idéia, como sua compatriota Raleigh.

 

Crescent de aro 20″ inspirada na Moulton

Muitos Fabricantes se inspiraram nela, como a Crescent acima, outros buscaram nas linhas da Italiana Graziella sua inspiração, como a Caloi e a Monark da Colômbia. Fato é que, na ocasião, este tipo de fenômeno de vendas era o maior em quase 100 anos da bicicleta.

 

A Crescent Sueca (do mesmo grupo da Monark da Suécia) investiu no desenvolvimento do modelo acima, e posteriormente lançou um novo modelo com as mesmas linhas da nossa Monareta de 2ª geração, chamada de Model 210 e 213 (com cubo de 3 marchas).

 

Crescent sueca início de 1970

Mais a Monark brasileira traria a público um modelo de design ousado. Apesar de se valer da idéia, seu projeto era bem diferente. Em 1967 lançou sua primeira Monareta, conhecida por Gemini, graças ao nome dado ao sistema que a tornava desmontável.

Monareta 1ª geração medalha de ouro 68

Inicialmente elas vinham com aros de 16 polegadas, mas que já em 1968 mudaram para de 20″. Alcançou uma expressiva marca de vendas, devido a sua praticidade, beleza das linhas e um excelente trabalho de marketing da Monark. Suas linhas foram a base para o desenvolvimento das primeiras Monaretas da Colômbia.

Monareta Colombiana dos anos 80

Enquanto isso, em todo mundo, continuavam lançamentos de vários Fabricantes, sejam dobráveis ou não.

Mas paralelamente a este lançamento outro tipo de conceito de Bicicleta nascia: a Chopper. Patenteada nos EUA em 1962, teve na Inglesa Raleigh Chopper e na americana Swinn Sting Ray suas primeiras e principais protagonistas.

 

Swinn Sting Ray

Seu estilo era baseado nas motocicletas Chopper da Califórnia e não demorou a serem, também lá, um enorme sucesso. Tinham aros de 20″ na traseira e de 14″ na dianteira, selin tipo banana e caprichada nos cromados. A Swinn é até hoje fabricada e seus modelos antigos estão entre os mais colecionáveis do mundo.

 Curiosidades

Publicidade Monark lançamento Monareta Mirim

Junto com a Monareta a Monark lançaria também a sua versão menor, a Monareta Mirim.

Era uma versão baseada na Monareta, só que com selim banana, ou como a Monark o chamava na época de Mustang.

Era, assim como a Monareta, a inauguração de uma nova tendência de Bicicletas para jovens e crianças, pois até então eram feitas versões menores das bicicletas de aro 28″, conforme publicidade abaixo:

Série Medalha de ouro 68
Publicidade Monark linha masculina e feminina para jovens

Mas isso não significou o fim destes modelos, pois no início da década de 1980 a Monark faria uma versão menor da sua até então campeã de vendas, a Barra circular, só que com aros de 20 polegadas, que, ironicamente, rivalizava com a Monareta.

Monark Barra Circular aro 20″

Além desta versão ainda viria outra, com aros de 14″, que por sua vez disputaria mercado com a Monareta Mirim.

Monark Barra Circular mirim aro 14″

As Bicicletas dobráveis

Neste post vamos trazer a história das bicicletas dobráveis, no Brasil e no mundo.

Conhecida como Folding (dobráveis em inglês), este modelo de bicicletas foi patenteada pela primeira vez nos EUA, pelo Inventor Emmit G. Latta, em 21 de Fevereiro de 1888. Um trecho da patente diz “o objetivo desta invenção é fornecer uma máquina segura, forte e útil, é mais facilmente orientados do que as máquinas em uso agora, e para construir a máquina de tal modo que a mesma pode ser dobrada quando não é necessário para uso”.

 

Latta vendeu a patente a Pope Manufacturing Company, que comprou dezenas de patentes relacionadas durante o início da era das bicicletas na América, incluindo a primeira patente de pedal de bicicletas dos EUA, emitida para Pierre Lallement, em 1866. Pope também vendeu motos sob a marca Columbia. Latta ainda inventou um triciclo dobrável e também vendeu a patente a Pope.

 

Outra invenção documentada precoce é a acima citada, também inventada por um americano, Michael B. Ryan, em 17 de abril de 1894.

Este modelo de bicicletas foi amplamente utilizado com fins militares em diversos países, tais como: Áustria (Estíria), Inglaterra (Dursley-Pedersen e Faun), Alemanha (Seidel e Naumann), Holanda (Fongers e Burgers), Itália (Bianchi), França (Peugeot), Rússia (Leitner) e Japão (Katakura). Entretanto, o fabricante mais conhecido foi a Inglesa BSA (Birmingham Small Arms). Eles produziram milhares de bicicletas dobráveis para uso na Primeira e Segunda guerra Mundial, utilizadas por paraquedistas.

 

Poucas bicicletas dobráveis foram produzidos para uso particular durante a Segunda Guerra. No entanto, vale a pena mencionar a Le Petit Bi, da França, mostrada na imagem abaixo.

Alguns textos da época alegavam erradamente que ela foi a primeira bicicleta dobrável de rodas pequenas do mundo. O fato é que o quadro não dobrava, apenas partes, como faziam na japonesa Katakura porta-cycle. Está bicicleta foi patenteada em 1939.

 

A primeira bicicleta de rodas pequenas do mundo, de fato, foi desenvolvida no início de 1920, por um inventor enigmático, C.H. Clark.

Da década de 30 até a de 50 foi um período silencioso na história das bicicletas dobráveis, acompanhando a tendência das demais bicicletas no mundo, devido a popularidade do automóvel e também das motocicletas.

A década de 60 Marcou o renascimento das bicicletas dobráveis. Grande parte devido a Bicicleta Mouton, em 1962. Embora não se trata-se de uma bicicleta dobrável, suas rodas pequenas serviram de inspiração para novos modelos de Bicicletas dobráveis.

No entanto, uma influência ainda mais marcante para as futuras Bicicletas dobráveis foi a italiana Graziella, em 1964, cujo design foi amplamente copiado até hoje.

 

Seu quadro era simples, em forma de “U”, sendo projetado pelo design italiano Rinaldo Donzelli. As formas deste quadro começaram a ganhar o mundo em meados dos anos 60, onde por exemplo a Monark, com sua Monareta e Caloi com sua Berlineta, iniciaram sua produção, tornando-se grande sucesso no Brasil.

 

A década de 70 viu uma proliferação das dobráveis pelo mundo, tais como: França (Astra, Peugeot, Motobécane e Motoconfort), Itália (Bianchi, Carnielli, Cinzia, Formicone e Rizzato), Áustria (Dusika e Puch), Alemanha (Heinemann Werke, Hércules, Jogada, Kalkhoff, Mettler, Kynast, Panther, Rixe, Schauff e Staiger), Polônia (Romet e ZZR), Japão (Bridgestone), Espanha (Besteigui Hermanos, GAC e Tortor), Argentina (Aurora e Bergamasco), Reino Unido (Raleigh, Dawes, Eswick Hooper), EUA (Schwinn) e URSS (Salute). Está foi a década de ouro das bicicletas na de aros pequenos.

Veja, abaixo, diversos modelos dobráveis de todo o mundo:

 

A história da Bicicleta Graziella

A empresa Graziella foi fundada em 1964, tendo origem italiana, assim como seus emigrantes que a trouxeram nas malas e bagagens ao chegar de navio no Brasil na década de 60′. Quando os italianos vinham ao Brasil, simplesmente traziam tudo consigo (ferramentas, roupas, comida, veículos…) pois sabiam que ao chegar na nova nação encontrariam um país em desenvolvimento pleno.

 

Traziam também consigo o projeto de sua nova Bicicleta, que já fazia grande sucesso na Europa, que era muito mais que uma nova Bicicleta dobrável, era um novo conceito, com aros pequenos, um design revolucionário, que inspirou diversos fabricantes no mundo todo e no Brasil não seria diferente, onde as gigantes Monark e Caloi criaram modelos inspirados nela.

 

A história das Bicicletas Hermes

Embora não seja uma Empresa nacional, se faz necessário contarmos aqui a história desta Marca, porque foi muito popular no País e também por que foi a base da nossa Prosdócimo.

Como havíamos falado na postagem anterior, a Marca nasceu da Empresa Nyman Company, precisamente em 1893, quando os irmãos Adolf e Janne Nyman assumiram o comando da Empresa, que havia sido criada por seu Pai, Anders Nyman em 1888, passada para a Mãe em 1889 após falecimento do Pai que por sua vez passou a seus filhos.

 

A Marca Hermes em pouco tempo constrói uma sólida imagem junto aos consumidores Suecos, devido a qualidade e confiabilidade da bicicleta.

Hermes sport aro 28″ de 1939

Em 1929 a Empresa enxerga a possibilidade de expandir seu negócio e trata de criar uma Joint-Venture com a Crescent, Empresa criada em Chicago, EUA, mas que mudou para Lindblad, Estocolmo, no início do século XX.

 

Hermes Sport aro 28″ 1950

Em 1947 a Empresa mudou de nome, passando a se chamar Nymanbolagen AB,  agora conta com as Marcas Hermes, Crescent, Vega e Nordstjernan.

Em 1950 a Empresa já contava com 1600 Funcionários e fazia uma bicicleta por minuto. Na época a Empresa era a principal rival da Monark na Suécia.

 

Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Esta frase caí muito bem em se tratando do que viria depois. Em 1960 foi feita a fusão entre a Nymanbolagen e a Monark, onde agora passara a se chamar de Monark-Crescent AB e o Presidente da Monark agora comanda está nova Empresa.

No entanto a história muda novamente em 1961, quando a Empresa é adquirida pelo Grupo Grimaldi, passando a fazer parte do Cycleurope, um dos maiores conglomerados do ramo ciclístico da Europa.

No Brasil a Marca fez muito sucesso e foi importada por vários Magazines, como as Lojas Mappin, Mesbla e Prosdócimo, que por sinal também as montava aqui com a Marca Prosdócimo.

 

História das Bicicletas Prosdócimo

Inauguração das Lojas Prosdócimo, anos 40

Neste post vamos dar continuidade a série de publicações contando a história das Fabricantes nacionais de bicicletas, contando a história da Prosdócimo.

A história de João Prosdócimo

Na primeira metade do século XX, João Prosdócimo deu início a carreira empresarial através de um pequeno estabelecimento onde se dedicava ao conserto de motores, máquinas de costura, armas de fogo e venda de bicicletas. O comércio localizado na Rua Barão do Serro azul, em Curitiba, Paraná, mas acabou perdendo força com a crise oriunda da Segunda guerra Mundial.

 

A história da Nymanbolagem AB (Nyman Company)

Fábrica da Nyman Company, anos 30

A Nyman foi fundada em 1888, em Stockholm, Uppsala, na Suécia por Anders Nyman. Infelizmente, no ano de 1889, Anders faleceu aos 49 anos, passando o controle da Empresa para sua Esposa, que a transferiu, em 1893, para seus filhos Adolf e Janne Nyman. Entre outras Marcas também produziu a Famosa Hermes. Em 1929 a Empresa cria uma Joint-Venture com a Crescent. As Empresas seguem muito bem e em 1938 juntas produziram em torno de 1 milhão de bicicletas. Em junho de 1947, a Empresa já havia se juntado a outras duas Marcas, mudou o nome para Nymanbolagen AB com um novo logótipo: Um escudo dividido em 4 quadrados, vermelho e amarelo, simbolizando as 4 Marcas Hermes, Crescent, Vega e Nordstjernan. Em 1950 a Empresa tinha cerca de 1600 Funcionários e fazia uma bicicleta por minuto. Em 1960 foi feita a fusão com seu maior concorrente, a Monark, passando a se chamar Monark-Crescent AB. Em 1961 foi adquirida pelo Grupo Grimaldi e formar o Cycleurope Group.

O começo das Bicicletas Prosdócimo

No final da Segunda guerra, nos anos 40, o comércio e indústria do Brasil e de todo o mundo buscavam meios de correr contra o tempo perdido e buscavam alianças locais e fora do País. Foi o caso das Lojas Prosdócimo, que a pouco tempo havia inaugurado o empreendimento comercial, firmou um contrato com uma Empresa de bicicletas Sueca, a Nymanbolagem AB, para a Fabricação de bicicletas da Marca no Brasil. Antes disso a Prosdócimo montava Bicicletas da Marca Alemã Dürkopp, como muitas outras fizeram na ocasião, como a Monark, por exemplo.

 

As bicicletas Prosdócimo feitas aqui eram, na verdade, montadas aqui. Foi só em 1955, após a venda da Empresa, que a produção passou a ser totalmente nacional, haja vista o forte desenvolvimento dos fabricantes nacionais de peças na época.

 

Em 1949, após a venda da Empresa, o filho de João Prosdócimo fundou a Refripar (Refrigeração Paraná S/A), e passou a comercialização da linha de produtos com a Marca do nome da Família, “Prosdócimo”. A Refripar produzia eletrodomésticos, sendo o forte da produção a linha branca (freezers, geladeiras e ar condicionado). A Refripar / Prosdócimo foi vendida em 1996, passando a se chamar Eletrolux.

 

Lojas Prosdócimo, em Curitiba, Paraná

Infelizmente, não temos maiores informações sobre o tempo de produção da linha de bicicletas da Marca.

A história das bicicletas Göricke

Neste post vamos trazer a história de uma excelente bicicleta de origem alemã, a Göricke. 

A Göricke foi uma Fabricante alemã de bicicletas e motocicletas, produzindo desde 1874.

Com sede na Cidade de Bielefeld, a Göricke Werke fabricou bicicletas na Alemanha até os anos 1970, quando a marca foi vendida e passou a ser fabricada pela Empresa Pantherwerke A.G., sediada na Cidade de Löhne.

 

Em 1955 as bicicletas da marca, que até então eram importadas, começaram a ser produzidas no Brasil, na Cidade de São Paulo. A produção das Göricke nacionais duraram pouco, até 1967, quando a Marca foi adquirida pela Monark

 

Göricke modelo turismo, com freio traseiro “torpedo” (contra-pedal)

Eram bicicletas duráveis e resistentes, produzidas seguindo o padrão de qualidade alemão da época. Eram importados poucos componentes (como o cubo contra-pedal Renak), sendo a maior parte das peças produzidas no país, que na época já possuia diversos fabricantes.

 

A Göricke também produziu peças para diversas outras marcas nacionais, tais como: Henke, Sieger, Prosdócimo, Abul, Bérgamo, Wolf, Pátria, entre outras.

Bicicleta Monark / Göricke – reparem no pé – de – vela característico das bicicletas Göricke

 As motocicletas Göricke

Entre os anos de 1903 e 1912 a Göricke começou a produção de motocicletas, com motores monocilíndricos e v-twin.

Em 1924 adquiriram a Marca Fábula, e passaram o produzir motos desta Fábrica. De 1927 a 1933 produziram motocicletas com motores Mag, com 346cc e 496cc, posteriormente também com motores Villierse e Blackburne.

Entre 1933 e 1939 mudaram o foco de negócio, passando a produzir apenas motocicletas mais rápidas, passando a investir mais no desenvolvimento de bicicletas.

De 1953 a 1960 voltou a produção de motos de menor cilindrada, com motores Sachs de 2 tempos, da Monark sueca, de 175cc.

Fonte: Wikipédia

 

Monark Miss Brasiliana 64

Em postagens passadas já havíamos falado da Monark Brasiliana 64, que fez um grande sucesso na época e hoje é uma das mais festejadas pelos Colecionadores.

Entretanto, existiu também uma versão feminina desta série, muito simpática por sinal, era chamada de Monark Miss Brasiliana 64.

Andar com ela era uma delícia. Pneus 26 X 1.1/2 X 2 com a relação 20 X 48, assim como sua versão masculina, é um verdadeiro “Cadillac” com apenas duas rodas.

Esta era uma versão comemorativa, que fazia alusão a recém inaugurada cidade de Brasília, onde seu decalque se faziam referências ao Palácio do Planalto, os Três Poderes, o avião que foi amplamente utilizado no transporte de materiais, inclusive levava em seu paralama dianteiro um adorno em forma de avião. A faixa vermelha simbolizava as vidas perdidas na construção da Capital e azul e branco fazem menção ao céu.

Assim como a versão masculina, ela foi uma das primeiras Monark com peças nacionais, com exceção do sistema de freio, contra-pedal.

Seu quadro, na verdade, era uma herança de modelos Monark anteriores, desde seu início de produção nacional, em 1948, mas antes ainda, da Monark Sueca. Seu design seguiria em versões posteriores da Monark, inclusive dando origem a Monark Tropical, produzida até hoje.

 

Por se tratar de uma das mais procuradas pelos colecionadores, e ter tido êxito de vendas na época, é até comum de se achar a venda em sites específicos.

 

Fácil também é achar suas peças, que são intercambiáveis entre outros modelos da Marca, utilizados ao longo dos anos 60.

 

Peugeot Turismo 3 masculina

Dando continuidade a história das bicicletas Peugeot no Brasil, trazemos agora a, talvez, mais popular delas: a Turismo 3 masculina.

Herdeira das Ballonete francesas – excelentes bicicletas que fizeram enorme sucesso depois da Segunda Guerra, por serem rápidas, elegantes e confortáveis – a Turismo 3 é tida como uma das melhores bicicletas já produzidas no País.

Sua destacada qualidade, oriunda da sua versão Francesa, se comprova através de uma das suas principais características: quase não faz barulho. Isso porque os seus parafusos e porcas dos para-lamas, bagageiro, cobre-corrente e hastes são de 8mm. Caixa do movimento central  e de direção são de 34,7mm e raramente apresentam folgas. 

Se não restam dúvidas de sua excelente qualidade, o mesmo não se pode dizer de sua história. Isso porque, como já havíamos dito antes, a prematura falência da sua Fábrica (Almec indústria mecânica), no início dos anos 80, atrelada a comum falta de documentações e publicidades das antigas fabricantes nacionais, torna bem difícil detalhar sua história, assim como demais modelos fabricados pela marca.

 

Este modelo feito aqui guarda muita semelhança a sua irmã francesa, como o guidon reto. Já os freios não eram iguais, cantillever nas francesas e Center-pull nas nossas.

Atualmente ainda é possível se ver rodando alguns exemplares, quase sempre em bom estado de conservação, devido ao grande número de fãs da marca.