A primeira Monareta – 1967

Monark Monareta 1967
Monark Monareta 1967

No ano de 1967 o País ainda passava por um período de Regime Militar, mas a Monark não tomará conhecimento e lançava uma nova bicicleta, assim como inaugurava um segmento, com a Monareta de 1ª geração, também conhecida como Gemini, devido a sua versão desmontável.

Publicidade Monark de 1967
Publicidade Monark de 1967

Esta bicicleta, juntamente com a Caloi Berlineta, eram de um novo segmento de bicicletas, unissex, ou seja, se destinavam a pessoas de ambos os sexos, diferente de modelos anteriores, que possuíam versões masculinas e femininas, assim como a faixa etária a que se destinava, atendendo desde crianças com 12 anos até adultos com mais de 20.

Monareta 1ª geração, de 1967
Monareta 1ª geração, de 1967

Este modelo em especial trazia características que as diferenciavam de modelos de anos posteriores, como:

  • Freios do tipo Ferradura (Semelhantes aos da Berlineta)
  • Aros 18
  • Cobre-corrente de formato diferente
Monareta 1ª Geração, 1967
Monareta 1ª Geração, 1967

Talvez este seja o modelo mais difícil de se achar, considerando suas características originais, onde a maioria, ao longo dos anos, foram modificadas, sobretudo nos aros, sendo substituídos pelos de 20 polegadas.

Jogo de adesivos Monark Monareta 1967
Jogo de adesivos Monark Monareta 1967

 

Série 2001 – Monark de 1969

Publicidade Monark Série 2001, de 1969
Publicidade Monark Série 2001, de 1969

Já falamos anteriormente da Monareta de 1ª Geração, da Série 2001, mas agora vamos falar das demais bicicletas Monark desta Série, de 1969.

No ano anterior a Monark já havia feito um pesado investimento em publicidade, divulgando em diversas mídias da época, inclusive patrocinando um famoso festival de música, que contava com Cantores consagrados, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, entre outros.  Neste ano não seria diferente. Aproveitando-se da corrida espacial entre URSS e EUA, da chegada do homem a Lua, assim como do lançamento do Filme “2001 – uma Odisseia no Espaço”, batizou sua linha de bicicletas de 1969 de “2001”.

Monark Barra circular Série 2001, de 1969
Monark Barra circular Série 2001, de 1969

Vale lembrar que Caloi e Monark reinavam soberanas na ocasião, onde boa parte das Fábricas de bicicletas encerraram suas atividades ou foram compradas – e posteriormente fechadas – por elas, devido a dificuldades ocasionadas pelo Regime Militar, instaurado no país em 1964.

Monark Monareta Série 2001, de 1969
Monark Monareta Série 2001, de 1969

Mas a qualidade na fabricação, assim como no acabamento, sempre se fizeram presentes na Monark, sobretudo nesta época. Continuava a gama de modelos de diversos segmentos, inclusive o nascimento de um novo tipo de bicicleta, inspirado na Sting Ray americana, a Monareta Tigre (Que mais tarde se chamaria de Monark Tigre).

Anúncio de época da Monark
Anúncio de época da Monark

Também fazia parte do portfólio a Monark Barra Circular, ainda na sua concepção de 1ª geração, que mais tarde, em 1972, sofreria as alterações que mais tarde a tornaria na bicicleta de maior sucesso da marca e líder de vendas.

Monark Barra circular Série 2001, de 1969
Monark Barra circular Série 2001, de 1969

A Monareta de 1ª geração, conhecida como Gemini (outro mote publicitário da corrida espacial, que fazia menção a cápsula da Missão Apolo) também se fazia presente, conforme já dissemos, um tipo ainda recente, pois havia sido lançada em 1967, inaugurando um segmento, juntamente com sua concorrente, a Caloi Berlineta.

Monareta Gemini Série 2001, de 1969
Monareta Gemini Série 2001, de 1969

Modelos desta Série são muito difíceis de se encontrar, sobretudo preservando suas características originais, como os modelos deste post.

 

Jogo de adesivos Monark, Série 2001, de 1969
Jogo de adesivos Monark, Série 2001, de 1969

 

Monareta Copa do Mundo 78

Monareta 3ª geração - Copa do mundo 1978
Monareta 3ª geração – Copa do mundo 1978

Vamos começar 2017 voltando no tempo (pra variar rs) trazendo a história por trás de mais um modelo de Monareta, do ano de 1978, em alusão a Copa do Mundo deste ano, realizada na Argentina.

Com relação a Copa vale dizer que foi cercada de polêmicas, haja vista o momento político dos nossos “Hermanos” na ocasião, que assim como nós viviam uma Ditadura, porém bem mais severa. Nossa Seleção, apesar de contar com craques do naipe de Zico, Dinamite, Rivellino, Edinho e Reinaldo, não faziam um belo papel, mas mesmo assim foi prejudicado por um dos maiores escândalos das Copas, onde a Argentina precisava vencer o Peru, que fazia uma boa participação até o momento, por uma diferença de 4 gols para se classificar, acabou goleando por 6 x 0!, provocando a eliminação do Brasil, mesmo sem ter perdido uma partida sequer!

Voltando a Monareta, neste ano a Monark abria mão da sua já habitual série especial de Copa do mundo, como fazia em outros anos, como a série Olé 70, por exemplo. Neste ano era simplesmente “78”, sem nenhuma alusão específica a Copa.

Monareta 3ª geração 1978
Monareta 3ª geração 1978

A exceção ficava por conta de um enfeite no para-lama dianteiro, que substituía o farolete plástico. Na traseira continuava o farolete plástico múltiplo, que era fixado no suporte da garupa.

Monareta 3ª geração 1978
Monareta 3ª geração 1978

Este modelo foi o primeiro da Monark a não contar mais com nome da série, como ocorria sempre, onde a Empresa adotava um nome específico para todos os seus produtos daquele ano, como as Séries Águia de Ouro ou Brasil de Ouro, por exemplo.

Monareta 3ª geração 1978
Monareta 3ª geração 1978

Achamos por bem trazer este exemplar, em especial, por tratar-se de um modelo preservado no que diz respeito as suas características originais, inclusive com seus adesivos íntegros. Esta bicicleta encontra-se à venda no Site Mercado Livre.

Adesivos Monark Monareta 78
Adesivos Monark Monareta 78

Modelos como este são extremamente raros de se achar, em suas condições originais, nos dias de hoje.

 

Monareta 1ª geração – Gemini

Monareta 1ª geração medalha de ouro 68
Monareta 1ª geração medalha de ouro 68

Talvez elas não sejam as mais cultuadas das Monaretas, talvez sejam consideradas muito “velhas” para muitos, mais não se pode negar, dentre todos os modelos esta geração é a mais charmosa.

Monareta 1ª geração Gemini Olé 70
Monareta 1ª geração Gemini Olé 70

O esmero e a qualidade do acabamento da Monark naquela época sempre foram destaques, assim como sua destacada qualidade estrutural, mas a elegância e a sutileza de suas linhas também merecem destaque, sobretudo neste modelo de bicicleta.

Monark 1ª geração Gemini Olé 70
Monark 1ª geração Gemini Olé 70

Afinal, este foi o modelo que inaugurou uma linha de bicicletas da marca, um tipo diferente para os padrões até aquele momento, que só encontrava referências na Caloi Berlineta, que também fazia sua estreia no segmento. Modelos para os mais jovens e adolescentes geralmente eram versões menores de modelos masculinos ou femininos, como a Monark BR65 mirim, com aro 22. Daí a diferença, este tipo de bicicleta era unissex, atendia bem ambos os sexos, de uma faixa etária dos 12 aos adultos acima de 20 anos.

Monareta 1ª geração Gemini Olé 70
Monareta 1ª geração Gemini Olé 70

Interessante dizer que o modelo Colombiano, por exemplo, embora tivesse o mesmo tipo de quadro, abolia a garupa, dando lugar ao Santo Antônio do selin banana – ou Mustang – fazendo a se parecer mais com as Sting Ray americanas, e por esta razão seu segmento era outro, mais voltadas para crianças até os 12 anos.

Monareta 1ª geração Gemini Olé 70
Monareta 1ª geração Gemini Olé 70

Está mais do que na hora de olharmos com mais carinho para estas Monaretas, precursoras de uma tendência, inovadoras num conceito e lindas por natureza.

Monareta 1ª geração
Monareta 1ª geração Gemini Olé 70

 

Série Medalha de Ouro 1968

 

Publicidade Monark Série Medalha de Ouro 1968
Publicidade Monark Série Medalha de Ouro 1968 modelo feminino aro 26″

Vamos pegar o Delorean e voltar ao ano de 1968, que tal?

Vamos falar de história, quarenta anos depois, os fatos relacionados a 1968 são tidos como os mais importantes e polêmicos ocorridos no Ocidente depois da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Considerado como o ano da livre experimentação de drogas, do aparecimento da mini-saia, da ´pílula anticoncepcional, do psicodelismo e do movimento feminista, foi também em 1968 que aconteceram o Maio Francês, o assassinato de Martin Luther King, os protestos contra a Guerra do Vietnã nos Estados Unidos – e em muitos outros países -, a primavera de Praga e a radicalização da luta estudantil e do recrudescimento da Ditadura Militar no Brasil. Ufa!

Foi também neste polêmico ano que a Monark lançou uma de suas campanhas publicitárias mais marcantes de todos os tempos, lançando a Linha Medalha de Ouro 68.

Publicidade Monark Tigre Medalhga de Ouro 68
Publicidade Monark Tigre medalha de Ouro 68, aros 14″ e 18″

Fazendo-se valer de uma ampla gama de produtos, seu portfólio era variado, atendendo todos os segmentos.

Publicidade Monark  Medalha de Ouro 68 linha masculina e feminina aro 22"
Publicidade Monark Medalha de Ouro 68 linha masculina e feminina aro 22″

Uma breve análise nos permite verificar que boa parte destes modelos são extremamente raros de se ver nos dias atuais.

Publicidade Monark Medalha de Ouro 68
Publicidade Monark Medalha de Ouro 68

O investimento em publicidade foi tão grande que lançaram até LP’s, com músicos consagrados no cenário musical nacional.

LP Festival Monark 68
LP Festival Monark 68

Como se percebe, a Monark de hoje nem de longe lembra a era de ouro que viveu no passado. Produtos de qualidade, publicidade de ponta e posteriormente um maior investimento em infraestrutura, inaugurando uma Fábrica em Manaus.

Publicidade Monark Monareta Medalha de Ouro 68
Publicidade Monark Monareta Medalha de Ouro 68

 

Uma rara Monaretinha Medalha de Ouro 68
Uma rara Monaretinha Medalha de Ouro 68

 

Fotos de bicicletas Monark

Monareta Gemini Medalha de Ouro 1968
Monareta Gemini Medalha de Ouro 1968

Nunca é demais ver fotos das bicicletas Monark, então vamos caprichar e trazer diversas fotos, de vários modelos e anos.

Exposição de Bicicletas Monark, em Campinas
Exposição de Bicicletas Monark, em Campinas
Monareta Morim 1974
Monareta Morim 1974
Monark Luxor 1961
Monark Luxor 1961
Monark Brasiliana 1964
Monark Brasiliana 1964
Monark Brasiliana feminina 1964
Monark Brasiliana feminina 1964
Monark Copa do Mundo 1962
Monark Copa do Mundo 1962
Monark Feminina Luxor 1961
Monark Feminina Luxor 1961
Monark masculina Galáxia 1967
Monark masculina Galáxia 1967
Monark Gran Tour IV 1980
Monark Gran Tour IV 1980
Monark Homem Brasil 1971
Monark Homem Brasil 1971
Monark Jubileu de Ouro 1958
Monark Jubileu de Ouro 1958
Monark Luxor 1961
Monark Luxor 1961
Monark BR65 Mirim aro 20
Monark BR65 Mirim aro 20
Monark Rei Pelé 66
Monark Rei Pelé 66
Monark Luxor São Paulo 1961
Monark Luxor São Paulo 1961

 

Ciclomotor Monareta

Ciclomotor Monark Monareta S50 1990
Ciclomotor Monark Monareta S50 1990

O assunto hoje é Monareta, mas não da nossa queridinha bicicleta, mas do Ciclomotor da Monark. Vamos tentar trazer o máximo possível de informações sobre este ciclomotor, que geralmente era chamado de Mobillete, por razões óbvias, era quase idêntica ao da Caloi.

Vamos começar lá atrás, contando a história da primeira delas, a que deu seu nome tanto a bicicleta como ao Ciclomotor, e posteriormente vamos expandir, contando a história dos Ciclomotores nacionais, assim como o funcionamento do motor de 2 tempos.

HISTÓRIA DO CICLOMOTOR MONARETA

Em 1958, a Monark começou a produção de um dos mais famosos ciclomotores do final dos anos 50 e começo dos 60, a “Monareta”, que era equipada com um motor NSU (alemão) de 2 Tempos de 49cc.

Ciclomotor Monareta 1960
Ciclomotor Monareta 1960

Aliás, a Monark foi a primeira a fabricar motocicletas no Brasil, em 1953, produzindo a Centrum, também conhecida por Monark 125cc, equipada com motor inglês BSA, de 2 tempos e monocilíndrico.

Voltando ao Ciclomotor vale dizer que foi fabricado entre 1958 e 1962 e era um sonho de consumo dos jovens amantes das duas rodas da época.

O NOVO CICLOMOTOR MONARETA

Nos anos 70 a Monark voltou com o ciclomotor, pois este tipo de veículo virou uma febre nacional, sobretudo após suspenção das importações em 1974.  A sua eterna rival, a Caloi, havia acabado de lançar um Ciclomotor, sob licença da Francesa Motobecane, que se chamava aqui de Mobyllete Caloi 50, com motor AV7.

Ciclomotor Monark Monareta MSL50
Ciclomotor Monark Monareta MSL50

Este Ciclomotor se chamava Monark Monareta MSL 50. Ela vinha com motor alemão Sachs, de 2 tempos, 49,9 cc, com cilindro na horizontal, o mesmo que já equipava os ciclomotores Motovi-Puch (modelo Maxi Puch), que já faziam grande sucesso por aqui.

Ciclomotor Monark Monareta 50cc
Ciclomotor Monark Monareta 50cc

A Caloi obviamente não poderia ficar para trás e tratou de modernizar seu Ciclomotor, que era uma geração atrás do da Monark, que também era feito sob licença da Motobecane (que por sinal fechou suas portas na França, em 1981), lançando no mercado o modelo AV10, com um motor mais bem acertado que o da série AV7.

Ciclomotor Monark Monareta de 1987
Ciclomotor Monark Monareta de 1987

Pouco depois a Monark também atualizou seu ciclomotor, trazendo um novo motor, quase idêntico ao da Caloi. Agora ambas as fabricantes tinham modelos gêmeos, a Monark com sua AV-X e a Caloi com a AV10.

Comparativo entre Mobyllete e Monareta
Comparativo entre Mobyllete e Monareta

A única, talvez, grande diferença entre ambas era o fato do tanque da Monark ser de plástico embaixo do banco e o da Caloi ser no tubo do quadro, abaixo do guidão, além da lanterna traseira, que na Monark era abaixo do Banco, entre a garupa (que era removível) e a da Caloi era no para-lamas traseiro.

Ciclomotor Monark Monareta AV-X
Ciclomotor Monark Monareta AV-X

Posteriormente a Caloi viria a novamente modernizar seu ciclomotor, trazendo a versão XR, com visual mais jovem, com para-lamas de plástico, carenagem também de plástico, novo Banco e mais potente, embora mantivesse a mesma cilindrada.

Mobyllete Caloi XR 1987
Mobyllete Caloi XR 1987

A Monark tratou de mudar também e trouxe seu novo modelo, a Monareta S50, com visual mais moderno.

Monark Monareta S50 de 1990
Monark Monareta S50 de 1990

Nessa altura do campeonato já era o começo dos anos 90, os ciclomotores já não vendiam tão bem e Monark e Caloi enfrentavam dois grandes problemas: o início das Montain bikes e a abertura da importações, o que acarretou no fim da era dos Ciclomotores para ambas.

CURIOSIDADES

Ambos os ciclomotores da Monark e da Caloi, assim como Garelli e Motovi-Puch, por terem motores de 2 tempos, não possuíam cárter e por este motivo sempre que fossem abastecê-las deveriam ser colocado no tanque o óleo de 2 tempos (2T).

Raio-X de um motor de 2 tempos
Raio-X de um motor de 2 tempos

Geralmente a medição do óleo a ser inserida no tanque era feita através da tampa de combustível, na proporção de 2 medidas de óleo para cada litro de gasolina.

Tampa de combustível medidor da Mobyllete
Tampa de combustível medidor da Mobyllete

 Este tipo de motor, de 2 tempos, possuía um sistema automático de embreagem com variador, feito por correia junto à polia cônica, similar ao sistema CVT (transmissão continuamente variável, continuosly  variable transmission, em inglês), onde o motor em giros baixos roda apenas o platô, ao passo que à partir do acionamento do acelerador, as molas da parte superior do platô se abrem, colando na parede da embreagem, num movimento centrífugo, abrindo posteriormente as sapatas, expandindo em seguida o variador junto a correia, colocando o Ciclomotor em movimento, que só se interrompe soltando o acelerador. Sem dúvida um sistema muito engenhoso, sobretudo se considerarmos que já tem quase um século.

Sistema de embreagem automática da Mobyllete
Sistema de embreagem automática da Mobyllete

O sistema de partida é feito através do pedal, fazendo-se o uso simultâneo de um afogador, para injetar gasolina no carburador, além da mistura óleo / gasolina, como já dissemos.

Motor 2 tempos completo
Motor 2 tempos completo

Por falar em curiosidades, que tal sabermos mais da história dos modelos de Ciclomotores que tivemos por aqui?

Motovi-Puch Maxi K2
Motovi-Puch Maxi K2

A Motovi foi uma Indústria Nacional que fabricou no Brasil, à partir de 1972, Ciclomotores da Marca Austríaca Puch, que fizeram enorme sucesso por aqui, tanto que despertou a Monark, que ressuscitou seu Ciclomotor Monareta. Ela também fez sob licença no País Motos da Americana Harley Davidson. Fechou suas portas em 1979, após ser comprada pela Honda.

Ciclomotor Motobecane Moby
Ciclomotor Motobecane Moby

Não é nacional, mais era este o modelo licenciado para a Caloi, que conhecemos como Mobyllete AV7 – Francesa. Este foi um dos modelos de Ciclomotores feitos pela Motobecane nos anos 70. Fechou suas portas, como já dissemos, em 1981 na França.

Ciclomotor Garelli Kátia
Ciclomotor Garelli Kátia

A Garelli-Kátia chegou a Brasil no começo dos anos 70, pela Ibramotos, com preços acessíveis e  tinha fortes concorrentes como as Mobylletes e Monaretas e várias outras que por suas dimensões reduzidas e motores com menos de 49.9 cc podiam ser usadas por jovens e adultos sem habilitação, graças a algumas lacunas do código de trânsito podia-se usar ciclomotores e até andar de moto sem capacete dentro do perímetro urbano.

A Kátia tinha características interessantes principalmente sua altura total de 93cm que facilitava o uso por jovens
e crianças.
Motor 49cc – 2T
Peso 45kg
Tanque 2,2 litros
Velocidade máxima 44 km/hora 
Foi fabricada na Itália, Brasil (Ibramoto) e Argentina.
Ciclomotor Ponei 50
Ciclomotor Ponei 50

Introduzida no Brasil, juntamente com a Garelli, pelas mãos do Sr. Antônio Carlos Pagano Brundo, mais conhecido por ‘Tao’, a Fabrica Brumana Pugliesi debutou no mercado nos anos 70, ao lado da sua semelhante Garelli Kátia e Eureka.

Publicidade Brumana Pugliesi anos 80
Publicidade Brumana Pugliesi anos 80

Além do Ciclomotor Ponei a Brumana Pugliesi fabricou as últimas Lambrettas e a Xispa, uma simpática Moto, algo próximo dos Scooters de hoje. Fechou suas Portas em 1982.

Ciclomotor Garelli Eureka
Ciclomotor Garelli Eureka

Além da Kátia e da Garelli 3 marchas, a Ibramotos também tinha o Modelo Eureka, um modelo muito raro por aqui.

Ciclomotor Leonette Jawa
Ciclomotor Leonette Jawa

Feito no Rio de Janeiro, no Bairro de Bonsucesso, pelas Indústrias Leon Herzog, nos anos 60, foi uma coqueluche na época. Vinha com motor Jawa, da Tchecoslováquia. Seu desenho era inspirado nas Mobylletes Motobecane francesas, com moldes adquiridos numa feira em Frankfurt, Alemanha. O primeiro modelo tinha 2 marchas, com seletor no manete. Sofreu a primeira modificação em 1965, com um novo carburador, que permitia manter a velocidade de 50 km/h. Em 1967 recebeu um novo motor Jawa, de cilindro na horizontal, com 3 marchas acionados com o pé e partida por quique, onde a fazia chegar aos 80 km/h. Foi feita até o ano de 1971, sendo o último modelo chamado de Mustang M20.

Ciclomotor Graziella
Ciclomotor Graziella

Espécie de Scooter, este simpático Ciclomotor também chamado de Motograziella, dos anos 60, era italiano, da Empresa Carnielli, e vinha equipado com um motor alemão Sachs (mesmo da Monareta MSL50), era compacto e dobrável, podendo ser guardado em lugares bem pequenos.

Ciclomotor Velosolex 1970
Ciclomotor Velosolex 1970

Ciclomotor Francês criado em 1942, por Marcel Mensessol, como protótipos para teste através dos Funcionários da Fábrica Solex, sendo o modelo definitivo lançado em 1945. Em 1974 foi lançada o modelo 4600 para exportação, com farol dianteiro e lanterna traseira. Tinha o motor à fricção acoplado por sob a roda dianteira. Chegou ao Brasil através da Empresa Inter-americana, que a montava no Centro do Rio de Janeiro. Foram vendidas aqui os modelos 3800 e 5000 (menor), nos Magazines Mesbla, Sears e Hermes Macedo. Foi fabricada até 1975, logo após a proibição das importações no país.

Gullivette Lavalette
Gullivette Lavalette

Foi um dos primeiros Ciclomotores brasileiros, lançado em 1957, antecedendo a Leonette, pela Gulliver, Empresa criada pelo Sr. Leon Herzog. Tinha motor de 49cc, similar ao da Motobecane francesa. Foi feita até 1957, onde após um desentendimento, com seu Sócio, Sr. Leon fechou a Gulliver, criando posteriormente as Indústrias Leon Herzog.

Ciclomotor Agrale Sport 50 1976
Ciclomotor Agrale Sport 50 1976

Primeiro Ciclomotor da Agrale, foi construída sob a base da Alpina 50, que era feita pela Italiana Morini e montada em Caxias do Sul, na década de 70.

Garelli 3
Garelli 3

Mais um Ciclomotor da Ibramotos, teve enorme sucesso, pois tinha aparência igual das motos. Vinha motor monocilíndrico, de 2 tempos, 49cc, sistema de partida mecânico, diâmetro do curso (mm) 40 x 39, taxa de compressão 10,8 : 1, carburador de fluxo horizontal, transmissão com câmbio de 3 velocidades, com acionamento pelo manicoto (punho) esquerdo, embreagem multidisco, em banho de óleo e ignição por magneto.

Ciclomotor Itália 1
Ciclomotor Itália 1

Foram fabricados apenas umas 2500 unds deste modelo pela Alpina do Brasil S/A, entre 1974 e 1975, com motor, carburador, entre outras peças, importados da Itália, daí o nome de Itália 1.

Ciclomotor Alpina
Ciclomotor Alpina

Depois de 1975 mudaram o nome da Itália 1 para Alpina T 50, que foi o último modelo produzido antes do fechamento da Empresa, que foi adquirida pela Agrale S/A, nos anos 80, que continuou com os Ciclomotores, como a Sport 50, a XT, a Tchau entre outros de 49cc. Nota-se uma semelhança com as primeiras Monaretas com motor Sachs, sobretudo na traseira.

Ciclomotor Brandy NS2
Ciclomotor Brandy NS 1

A Fabricante Brandy, a mesma que fazia peças de reposição para motos e também as Bicicletas Brandaine, nos anos 70, também fez seus Ciclomotores, com motor Italiano Zanella, em meados dos anos 80.

Ciclomotor Agrale/Garelli Júnior
Ciclomotor Agrale/Garelli Júnior

A Agrale, além de comprar a Alpina, também adquiriu a Garelli / Ibramotos (daí a semelhança entre a Garelli 3 e a Agrale XT), e debutou a “Joint venture” com o Ciclomotor Júnior, no começo dos anos 80.

Ciclomotor Agrale XT
Ciclomotor Agrale XT

Ciclomotor também da Agrale, o modelo XT foi lançado em meados dos anos 80, e tinha certa inspiração na Garelli de 3 marchas. Muito bonita, foi o mais próximo na época de uma moto de verdade.

Agrale Tchau
Agrale Tchau

Agrale Tchau, foi o canto do cisne da era de ouro dos Ciclomotores, pois foi lançada no começo dos anos 90, em substituição ao modelo Sport 50. Vinha com o motor Italiano Moto-morini, que rendia quase 20% a mais que os demais ciclomotores da época, rodas de liga leve, parecia uma moto, sobretudo se considerarmos modelos atuais, como a Honda Pop 100. Pena que vendeu pouco e hoje é rara.

A história da bicicleta brasileira

Monark Brasiliana 1964
Monark Brasiliana 1964

Neste post vamos tentar trazer o máximo de informações sobre a história da bicicleta brasileira, algo pouco documentado, mas sem dúvida de grande importância para a história do ciclismo nacional.

AS PRIMEIRAS BICICLETAS NO BRASIL

A história da bicicleta no Brasil é sempre um tema de certa polêmica, apesar de pouquíssimos estudiosos ou pessoas simpáticas ao tema, terem se debruçado sobre ele. Vários são os fatores que conduzem ou favorecem a essa situação, com destaque, sem dúvida, à ausência de uma bibliografia específica, até por que, foram poucos a escreverem sobre o tema ao longo do séc. XX. Anterior a esse período, a coisa fica reduzida a notícias de jornais, e alguns informativos de clubes. As primeiras bicicletas chegaram no Brasil no final do Século XIX, também provenientes da Europa. As Cidades de Curitiba, no Paraná, e São Paulo receberam um grande número de imigrantes Europeus, de onde datam os primeiros registros de utilização da bicicleta por aqui. Em 1895 já existia um Clube de ciclismo, organizado por imigrantes provindos da Alemanha, em Curitiba. Em São Paulo foi construído o primeiro Velódromo do País, ainda no ano de 1895 e pouco depois foi fundado, também em São Paulo, o Veloce Club Olímpico Paulista.

Registro do primeiro Clube de bicicletas do Brasil, em Curitiba, 1895
Registro do primeiro Clube de bicicletas do Brasil, em Curitiba, 1895

Para o Brasil do final do Século XIX e início do Século XX a bicicleta era uma realidade distante, devido aos altos custos de importação e da inexistência de fabricantes e oficinas em território brasileiro. Se, por um lado, as bicicletas eram um atrativo e um deleite para as classes mais abastadas – essa fase ocorreu praticamente em toda à Europa e também no Brasil – quando aconteceu sua massificação no país, logo após a II Guerra Mundial e durante a década de 50, elas adquiriram o Status de “veículo da classe trabalhadora”, ou seja, já discriminadas pela Sociedade consumista do pós-guerra.

As dificuldades para a implantação de um Parque industrial voltado à produção de bicicletas foram grandes no início do Século XX. A situação foi agravada por vários problemas de ordem interna, todos de caráter político e com seus inevitáveis desdobramentos negativos no plano industrial e social:

  • Crise de 1929
  • Revolução de 1930 (ascenção de Getúlio Vargas)
  • Revolução Constitucionalista de 1932
  • Revolução Comunista de 1935
  • Estado Novo de 1937
  • II Guerra Mundial de 1939 a 1945

Somente no final da década de 40, é que a Indústria voltada para a produção de bicicletas, lançaria suas bases para deslanchar na década seguinte.

Durante esse período de incertezas pequenos empresários semelhantes à Família Scattone, Miguel Chiara, Casa Luiz Caloi, Dimas & Felix Pneus e Artefatos Condor, importavam bicicletas, componentes e acessórios. Mediante algumas adaptações de ferramental, esses mesmos empresários começaram a produzir vários modelos de quadros e para-lamas para montagens próprias, produzindo excelentes bicicletas.

O COMEÇO DA MONARK E DA CALOI BRASILEIRA

Em 1º e 10 de abril de 1948, Monark e Caloi, iniciaram suas atividades industriais e comerciais, segundo registros levantados na Junta Comercial de São Paulo. Antes desse período elas atuavam no país, como importadoras e distribuidoras de algumas marcas Europeias de boa qualidade.

Monark Brasiliana mirim 1964
Monark Brasiliana mirim 1964

A década de 50 foi promissora para a fabricação e comercialização de bicicletas no Brasil. Além da Monark e Caloi, Fabricantes de menor porte como a Role, Patavium, Pimont, Gorick, Hélbia, Gallo, Coringa, Regina, Erpe, Mercswiss, Tamoio, Celta, Victory, Adaga, NB, Bérgamo, Everest, Apolo, Bekstar, Bluebird, Scatt, Rondina, Wolf, Royal, Marathon, Luxor, Centrum, Rivera, e tantas outras marcas, produziram material de alta qualidade e competência.

Bicicleta Mercswiss dos anos 50
Bicicleta Mercswiss dos anos 50

Essas marcas ainda tinham o desafio de concorrer com as importadas provenientes da Inglaterra, Itália, França, Suécia e Alemanha. Estas bicicletas eram importadas pelos magazines: Mesbla; Cássio Muniz; Lojas Pirani; Mappin e Eletrorádiobras.

No final dos anos 50, outro dado de suma importância e pouco lembrado para os que desejam entender a razão de estarmos na contra mão dos países civilizados quanto à utilização racional da bicicleta, mais especificamente, sob a Presidência de Jucelino Kubitschek, quando este, mudou a “matriz” do transporte em nosso país, fazendo a opção pelos veículos motorizados, inclusive, trazendo para cá, as primeiras montadoras de veículos leves, ônibus e caminhões, deixando de lado as Ferrovias e Portos.

Havia espaço para o mercado crescer mais, afinal, o carro ainda era um sonho longínquo para a grande maioria, e a situação era confortável para os fabricantes até o advento da Revolução de 64, e as reformas monetárias que se seguiram. Os fabricantes que tinham dívidas atreladas ao dólar devido a importação, principalmente de máquinas, ruíram, pois o acesso aos empréstimos governamentais foram suspensos.

Nesse contexto de dificuldades para a maioria, Caloi e Monark começaram a deslanchar em busca do domínio do mercado de bicicletas. As duas “grandes fábricas” vão pulverizando aos poucos as “pequenas notáveis” que sobreviveram, mediante aquisição e fechamento das marcas.

Na verdade, essa história foi marcada por grandes episódios de muita garra e superação, além de outros menos dignos que envolveram a criação de algumas dificuldades para os concorrentes com menor poder de fogo. Sempre fora uma atitude corriqueira das duas Empresas na busca da monopolização do mercado de bicicletas, que perdurou durante algumas décadas do século passado. O fatídico “gran finale” que fechou esse período foi o encerramento das atividades da “Bicicletas Peugeot do Brasil S/A”, cujo complexo industrial estava instalado na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Série Olé 70 da Monark
Série Olé 70 da Monark

O monopólio de mercado se deu até o final da década de 80, com o advento mundial do Mountain bike e a abertura do mercado nacional já no início dos anos 90, inicialmente para as bicicletas produzidas em Taiwan e na China.

A partir desse momento o mercado sofreu uma brutal transformação, quer pela entrada de produtos com altíssima qualidade (outros nem tanto, mais com preço mais em conta), bem como o perfil do consumidor da classe média, que passou a ser bem mais exigente, e das Classes C, D e E que agora poderiam adquirir bicicletas mais baratas e de grande apelo visual, como no caso das Savoy e Royce Union. Em decorrência dessa nova situação Caloi e Monark quase naufragaram, sendo que a primeira deixou de ser uma empresa familiar, e sob uma administração competente, voltou a ocupar uma boa fatia no mercado nacional de bicicletas. A Monark fechou duas fábricas, em Manaus, onde uma carta enviada aos Funcionários demitidos dizia que era preferível fechar as portas do que fazer bicicletas com péssima qualidade, como as da China, e em São Paulo. Hoje possui uma Fábrica, em Indaituba, São Paulo, sobre a Administração do Sr. Marzagão, dono da Empresa, que tem administrado com muita competência, que se reflete nos números dos últimos balanços da Empresa, embora seu portfólio de produtos seja bem pobre.

A Monark optou por concentrar sua produção nas chamadas bicicletas de transporte, carga, infantis e Montain Bikes e mantém uma boa participação nos mercados Norte e Nordeste do Pais, graças a seu grande trunfo, a Barra circular, campeã de vendas da marca a décadas e que continua sendo copiada pelos outros fabricantes. Lógico, sem aquela antiga liderança que há muito perdeu, onde no seu auge chegou a vender algo em torno de 2 milhões de bicicletas por ano.

Hoje o mercado conta também com Fabricantes como a Sundown e a Houston, que fabrica no Piauí e prepara uma nova planta em Manaus, e conta com um grande trunfo para a sua performance de vendas: Entre outras empresas, são proprietários de uma rede de lojas de varejo chamada Armazém Paraíba, com mais de 500 lojas espalhadas pelo Nordeste, Norte e Centro Oeste.

CURIOSIDADES

No final dos anos 70 as grandes Caloi e Monark, diante de um grande sucesso de venda de suas bicicletas, se aventuram no ramo das Motos, mais precisamente dos ciclomotores. A Caloi adquiri a licença para fabricar no país o Ciclomotor Francês Motobecane, dando o nome de Mobyllete, de 49,9 cc o modelo AV-7.

Mobyllete Caloi
Mobyllete Caloi

Já a Monark, também adquiri licença da Motobecane, lançando um modelo mais moderno que o da Caloi, adotando o nome de Monareta, fazendo alusão ao Ciclomotor da Monark dos anos 60, modelo MSL50, com motor Alemão Sachs, de 2 tempos e 49cc.

Ciclomotor Monark Monareta MSL50
Ciclomotor Monark Monareta MSL50

 

Ciclomotor Monark Monareta AVX
Ciclomotor Monark Monareta AVX

Posteriormente a Caloi também atualizou seu Ciclomotor, lançando o modelo AV10.

Ciclomotor Mobyllete AV10
Ciclomotor Mobyllete AV10

Ao longo do tempo a Monark lançou o modelo AV-X (uma cópia da AV10 da Caloi) e S50 e a Caloi o XR, que seguiram até o final dos anos 80.

Fontes:

http://www.revistabicicleta.com.br/bicicleta.php?a_historia_da_bicicleta_no_brasil&id=951

http://www.escoladebicicleta.com.br/historiabicicletaBrasilA.html

http://www.museudabicicleta.com.br/museu_hist.html

http://escoladebicicletacorreio.blogspot.com.br/2011/11/bicicletas-monark-fatos-e-fofocas.html

 

 

Barra circular na onda da customização

Barra circular Rebaixada
Barra circular Rebaixada

Você já deve saber que a Monark Barra circular sempre foi um modelo atípico, diferente do usual das bicicletas a nível mundial e que justamente por isso fez e faz enorme sucesso aqui, sendo copiada por diversas fabricantes, inclusive a Caloi.

Agora parece que este estilo único está gerando, graças a seus donos, modelos ainda mais diferentes, customizados.

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A origem ninguém sabe ao certo, mais talvez seja em função do movimento Lowrider, que assim como carros, também customizam bicicletas.

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Além dela costumam usar outras bicicletas, como Monark Brisa, Caloi Ceci, mas pelo que parece as mais utilizadas são mesmo as Barra circular.

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Vale tudo na transformação, redimensionamento das rodas, do grafo, do selim, do guidão…

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O limite para as modificações ficam somente na mente (e no bolso) de seus donos. Alguns modelos são tão baixos que mal se consegue pedalar.

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Se depender dos fãs, esta é uma moda que veio para ficar.

 

 

Monark Ranger – A 1ª Montain Bike da Monark

Monark BMX Ranger 1986
Monark BMX Ranger 1986

Trazemos agora a história de uma bicicleta que foi mais que um lançamento de um modelo que inaugurou um segmento, mais que nasceu junto com uma modalidade que foi um divisor de águas no ciclismo nacional, o Montain Bike, que provocou uma revolução na indústria ciclística nacional. Estamos falando da Monark Ranger, incialmente chamada de BMX Ranger (e que ironicamente hoje, um modelo infantil de BMX, também adota este nome).

Mas para contar esta trajetória vitoriosa, precisamos nos aprofundar na história desta categoria, responsável por uma verdadeira transformação no ciclismo do Brasil, como já dissemos.

HISTÓRIA DO MONTAIN BIKE

O mountain bike brasileiro nasce com os cariocas. São eles que trazem um punhado de bicicletas importadas, formam um grupo de amigos que saem para pedalar em velhas fazendas, trilhas e estradinhas. Para quem não podia adquirir uma importada a saída era fazer adaptações nas bicicletas nacionais, principalmente da Monark Ranger, o seu segundo modelo. Era mais ou menos previsível que depois de 1988, após o 1º Mountain Bike Cup Fazenda Hotel Jatahy, organizado por Marcos Ripper, em Paraíba do Sul – RJ, a coisa toda explodisse no país. Tudo indicava que os cariocas iriam ditar os rumos; já haviam feito um campeonato, tinham conhecimento técnico avançado das bicicletas e, na época, eram os únicos fabricantes, artesanais, de quadros específicos para mountain bike (Pró Bike).

Um dos primeiros campeonatos de Montain Bike
Um dos primeiros campeonatos de Montain Bike

Em São Paulo tudo nasceu com JB e Renata Falzoni com sua genial criação: o 1º Cruiser das Montanhas de Campos do Jordão, patrocinado pela Caloi. Foi um mês – julho – com 50 bicicletas Cruiser Montana 5 marchas e um sucesso absurdo! Renata e J.B fariam a primeira prova ainda em 1988. Partiram para uma Copa (Halls-Lâminas Schick) que foi um dos pontos altos de todo o ano de 1989.

Renata Falzoni - uma das responsáveis pela introdução do Montain Bike em São Paulo
Renata Falzoni – uma das responsáveis pela introdução do Montain Bike em São Paulo

COMEÇO DA MONARK RANGER

Em 1985 surgem duas bicicletas que seriam uma revolução no mercado brasileiro: Monark Ranger e Caloi Cruiser. Ambas eram do tipo “beach cruiser” e viriam iniciar a era do Montain bike no país. O primeiro modelo da Ranger tinha algumas características visuais das primeiras mountain bikes americanas, como pneus balão, freios cantilever que eram ruins, além de guidão preso a um avanço duplo em forma de “V”. A primeira Caloi Cruiser tinha o mesmo conjunto de guidão, mas seu quadro e os freios ferradura pareciam mais uma BMX de adulto. Os dois fabricantes erram de maneira grosseira na percepção da realidade e na estratégia, com seus modelos que não eram nem uma bicicleta de praia, nem de montanha. 

Monark Ranger 1988
Monark Ranger 1988

As duas acabaram sendo nossa primeira opção para pedalar fora de estrada por absoluta falta de opções. Eram feitas adaptações de marchas, sistema de freio e avanço de guidão. 

O segundo modelo Ranger foi totalmente reformulado, com alterações nos freios, avanço e guidão. O mercado da época ainda era claramente dividido e os cariocas, que praticamente só tinham a Ranger, passaram a usar seu quadro e garfo como base para criar uma bicicleta que fosse pedalável na terra. O mesmo iria acontecer uns dois anos depois com as Cruiser em São Paulo.

Em 1989 surge a primeira bicicleta própria para o esporte, a Caloi Mountain Bike 18. Com quadro claramente inspirado na GT americana, com 18 marchas, freios cantilever que funcionavam relativamente bem, o modelo faz sucesso, mas era impróprio para competições porque era frágil. Aos poucos o número de importadas foi crescendo, a maioria trazida na bagagem de quem viajava, mas eram muito caras. Mesmo numa cidade como São Paulo era possível identificar o dono pela bicicleta e na maioria dos casos todos eram conhecidos ou mesmo amigos.

A Monark não acompanha com clareza esta tendência, e ainda insiste em modelos bem simples, como a Ranger Afrikan.

Monark Ranger Afrikan 1989
Monark Ranger Afrikan 1989

Finalmente a Monark desperta, e traz modelos mais sofisticados para o mercado, como a M. Bike.

Monark Ranger M. Bike 18 marchas 1990
Monark Ranger M. Bike 18 marchas 1990

Um modelo muito melhor do que os anteriores, com câmbio Shimano SIS de 18 velocidades, freios de melhor qualidade e aros de alumínio.

Mais a Caloi dá o troco, trazendo para o mercado, em 1994,  uma excelente Montain bike, a Aspen Way 1, com câmbio indexidado Shimano Altus C20.

Caloi Aspen Way 1 1994
Caloi Aspen Way 1 1994

Em 1995 a Monark traz a Ranger Montain, com câmbio Shimano de 6 marchas. A despeito do nome, era um modelo básico, para uso urbano.

Monark Ranger Montain
Monark Ranger Montain 1995

Neste mesmo ano a Monark traz outro modelo, muito similar ao Montain, o modelo SIX, também com seis marchas, mais câmbio Monark.

Monark Ranger SIX 1995
Monark Ranger SIX 1995

Muitos outros modelos viriam depois, como a Ranger Trail, de 12 velocidades.

Monark Ranger Trail 12 velocidades
Monark Ranger Trail 12 velocidades

Também a Monark Canyon.

Monark Canyon
Monark Canyon 18 V

A Monark Allum frame, com quadro de alumínio e câmbio indexado.

Monark Allum Frame
Monark Allum Frame

Dando continuidade a história das Montain bikes, vale dizer que aos poucos foram aparecendo novas marcas nacionais que tentam entrar no mercado que até então era quase que exclusivo de Caloi e Monark. A Tekway foi a primeira com porte maior a se aventurar, tinha uma fábrica bem organizada, preocupação com qualidade, mas o projeto das suas bicicletas era estranho, quando não errado, e depois de certo tempo saíram do mercado. A Urbano tinha produtos muito baratos, inúmeros desenhos de quadros, muitos deles estranhos ou mal resolvidos, mas mesmo vendendo bem não foram capazes de controlar o grave problema de qualidade de seus produtos e a marca acabou falindo. E assim foi com uma série de nomes que se seguiram. O jogo do mercado era pesado e algumas marcas foram compradas pelos grandes para serem desativadas. Outras não souberam lidar com a pressão e saíram do mercado por espontânea vontade. No caso particular da Urbano, em meio à negociação para sua venda sofreu um pequeno incêndio, localizado no escritório e mal explicado. 

Mas uma marca despontou como forte concorrente a quebrar a hegemonia da Caloi e Monark, a Savoy (Royce Union), com diversos modelos e cores, que viria a por fogo no mercado das Montain Bikes.

Montain Bike Savoy camaleão
Montain Bike Savoy camaleão

Pouco depois outra Fabricante entrou no mercado, acirrando ainda mais a disputa. Foi a Sundown, que assim como a Savoy era uma Montain bike para uso urbano e, talvez, pequenas trilhas, somente. Mas a de se destacar a qualidade de fabricação da Sundown, boa pintura, bom acabamento e peças de qualidade.

Sundown Rain drop 18 V
Sundown Rain drop 18 V

O mercado foi crescendo, as Montain bike mostraram que vieram para ficar e injetaram um novo ânimo no mercado nacional de bicicletas.

CURIOSIDADES

A Monark do Brasil ainda existe e fabrica Montain bikes, assim como outros modelos, como a Barra circular, por exemplo, mas seu catálogo de produtos é muito inferior ao da Monark do Peru, por exemplo:

Monark do Brasil
Monark do Brasil

 

Monark do Peru
Monark do Peru

Fontes:

http://www.escoladebicicleta.com.br/historiabicicletaBrasilA.html

http://sampabikers.com.br/dicas-e-curiosidades/historia-do-mountain-bike-no-brasil-os-20-primeiros-anos/