A história das bicicletas de rodas pequenas

Atriz da Série clássica Star Trek numa Bicicleta Moulton

Neste post vamos trazer a história do segmento de Bicicletas ao qual pertence a nossa Monareta, que possuem aros 20″ ou mesmo 16″.

Apesar de, em muitas situações, serem encaradas como Bicicletas para crianças, estas Bicicletas foram concebidas para adultos, onde em tese surgiram como folding – dobráveis em inglês, como havíamos dito em postagem anterior.

Entretanto, à partir de 1962, as coisas começam a mudar, quando uma Fábrica Inglesa, a Moulton, apresenta uma bicicleta revolucionária, na forma e no contexto. Seu quadro (foto que abre este post) era em forma de “F”,  seus aros de 20 polegadas, sua prática garupa, fácil de guiar e não era dobrável, a tornou num fenômeno imediatamente, que fez com que diversas Fábricas ao redor do mundo se valessem da idéia, como sua compatriota Raleigh.

 

Crescent de aro 20″ inspirada na Moulton

Muitos Fabricantes se inspiraram nela, como a Crescent acima, outros buscaram nas linhas da Italiana Graziella sua inspiração, como a Caloi e a Monark da Colômbia. Fato é que, na ocasião, este tipo de fenômeno de vendas era o maior em quase 100 anos da bicicleta.

 

A Crescent Sueca (do mesmo grupo da Monark da Suécia) investiu no desenvolvimento do modelo acima, e posteriormente lançou um novo modelo com as mesmas linhas da nossa Monareta de 2ª geração, chamada de Model 210 e 213 (com cubo de 3 marchas).

 

Mais a Monark brasileira traria a público um modelo de design ousado. Apesar de se valer da idéia, seu projeto era bem diferente. Em 1966 lançou sua primeira Monareta, conhecida por Gemini, graças ao nome dado ao sistema que a tornava desmontável.

 

Monareta de 1ª geração – Gemini

Inicialmente elas vinham com aros de 16 polegadas, mas que já em 1967 mudaram para de 20″. Alcançou uma expressiva marca de vendas, devido a sua praticidade, beleza das linhas e um excelente trabalho de marketing da Monark. Suas linhas foram a base para o desenvolvimento das primeiras Monaretas da Colômbia.

Monareta Colombiana dos anos 80

Enquanto isso, em todo mundo, continuavam lançamentos de vários Fabricantes, sejam dobráveis ou não.

Mas paralelamente a este lançamento outro tipo de conceito de Bicicleta nascia: a Chopper. Patenteada nos EUA em 1962, teve na Inglesa Raleigh Chopper e na americana Swinn Sting Ray suas primeiras e principais protagonistas.

 

Swinn Sting Ray

Seu estilo era baseado nas motocicletas Chopper da Califórnia e não demorou a serem, também lá, um enorme sucesso. Tinham aros de 20″ na traseira e de 14″ na dianteira, selin tipo banana e caprichada nos cromados. A Swinn é até hoje fabricada e seus modelos antigos estão entre os mais colecionáveis do mundo.

 

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As Bicicletas dobráveis

Neste post vamos trazer a história das bicicletas dobráveis, no Brasil e no mundo.

Conhecida como Folding (dobráveis em inglês), este modelo de bicicletas foi patenteada pela primeira vez nos EUA, pelo Inventor Emmit G. Latta, em 21 de Fevereiro de 1888. Um trecho da patente diz “o objetivo desta invenção é fornecer uma máquina segura, forte e útil, é mais facilmente orientados do que as máquinas em uso agora, e para construir a máquina de tal modo que a mesma pode ser dobrada quando não é necessário para uso”.

 

Latta vendeu a patente a Pope Manufacturing Company, que comprou dezenas de patentes relacionadas durante o início da era das bicicletas na América, incluindo a primeira patente de pedal de bicicletas dos EUA, emitida para Pierre Lallement, em 1866. Pope também vendeu motos sob a marca Columbia. Latta ainda inventou um triciclo dobrável e também vendeu a patente a Pope.

 

Outra invenção documentada precoce é a acima citada, também inventada por um americano, Michael B. Ryan, em 17 de abril de 1894.

Este modelo de bicicletas foi amplamente utilizado com fins militares em diversos países, tais como: Áustria (Estíria), Inglaterra (Dursley-Pedersen e Faun), Alemanha (Seidel e Naumann), Holanda (Fongers e Burgers), Itália (Bianchi), França (Peugeot), Rússia (Leitner) e Japão (Katakura). Entretanto, o fabricante mais conhecido foi a Inglesa BSA (Birmingham Small Arms). Eles produziram milhares de bicicletas dobráveis para uso na Primeira e Segunda guerra Mundial, utilizadas por paraquedistas.

 

Poucas bicicletas dobráveis foram produzidos para uso particular durante a Segunda Guerra. No entanto, vale a pena mencionar a Le Petit Bi, da França, mostrada na imagem abaixo.

Alguns textos da época alegavam erradamente que ela foi a primeira bicicleta dobrável de rodas pequenas do mundo. O fato é que o quadro não dobrava, apenas partes, como faziam na japonesa Katakura porta-cycle. Está bicicleta foi patenteada em 1939.

 

A primeira bicicleta de rodas pequenas do mundo, de fato, foi desenvolvida no início de 1920, por um inventor enigmático, C.H. Clark.

Da década de 30 até a de 50 foi um período silencioso na história das bicicletas dobráveis, acompanhando a tendência das demais bicicletas no mundo, devido a popularidade do automóvel e também das motocicletas.

A década de 60 Marcou o renascimento das bicicletas dobráveis. Grande parte devido a Bicicleta Mouton, em 1962. Embora não se trata-se de uma bicicleta dobrável, suas rodas pequenas serviram de inspiração para novos modelos de Bicicletas dobráveis.

No entanto, uma influência ainda mais marcante para as futuras Bicicletas dobráveis foi a italiana Graziella, em 1964, cujo design foi amplamente copiado até hoje.

 

Seu quadro era simples, em forma de “U”, sendo projetado pelo design italiano Rinaldo Donzelli. As formas deste quadro começaram a ganhar o mundo em meados dos anos 60, onde por exemplo a Monark, com sua Monareta e Caloi com sua Berlineta, iniciaram sua produção, tornando-se grande sucesso no Brasil.

 

A década de 70 viu uma proliferação das dobráveis pelo mundo, tais como: França (Astra, Peugeot, Motobécane e Motoconfort), Itália (Bianchi, Carnielli, Cinzia, Formicone e Rizzato), Áustria (Dusika e Puch), Alemanha (Heinemann Werke, Hércules, Jogada, Kalkhoff, Mettler, Kynast, Panther, Rixe, Schauff e Staiger), Polônia (Romet e ZZR), Japão (Bridgestone), Espanha (Besteigui Hermanos, GAC e Tortor), Argentina (Aurora e Bergamasco), Reino Unido (Raleigh, Dawes, Eswick Hooper), EUA (Schwinn) e URSS (Salute). Está foi a década de ouro das bicicletas na de aros pequenos.

Veja, abaixo, diversos modelos dobráveis de todo o mundo:

 

A história da Bicicleta Graziella

A empresa Graziella foi fundada em 1964, tendo origem italiana, assim como seus emigrantes que a trouxeram nas malas e bagagens ao chegar de navio no Brasil na década de 60′. Quando os italianos vinham ao Brasil, simplesmente traziam tudo consigo (ferramentas, roupas, comida, veículos…) pois sabiam que ao chegar na nova nação encontrariam um país em desenvolvimento pleno.

 

Traziam também consigo o projeto de sua nova Bicicleta, que já fazia grande sucesso na Europa, que era muito mais que uma nova Bicicleta dobrável, era um novo conceito, com aros pequenos, um design revolucionário, que inspirou diversos fabricantes no mundo todo e no Brasil não seria diferente, onde as gigantes Monark e Caloi criaram modelos inspirados nela.

 

A história das Bicicletas Hermes

Embora não seja uma Empresa nacional, se faz necessário contarmos aqui a história desta Marca, porque foi muito popular no País e também por que foi a base da nossa Prosdócimo.

Como havíamos falado na postagem anterior, a Marca nasceu da Empresa Nyman Company, precisamente em 1893, quando os irmãos Adolf e Janne Nyman assumiram o comando da Empresa, que havia sido criada por seu Pai, Anders Nyman em 1888, passada para a Mãe em 1889 após falecimento do Pai que por sua vez passou a seus filhos.

 

A Marca Hermes em pouco tempo constrói uma sólida imagem junto aos consumidores Suecos, devido a qualidade e confiabilidade da bicicleta.

Hermes sport aro 28″ de 1939

Em 1929 a Empresa enxerga a possibilidade de expandir seu negócio e trata de criar uma Joint-Venture com a Crescent, Empresa criada em Chicago, EUA, mas que mudou para Lindblad, Estocolmo, no início do século XX.

 

Hermes Sport aro 28″ 1950

Em 1947 a Empresa mudou de nome, passando a se chamar Nymanbolagen AB,  agora conta com as Marcas Hermes, Crescent, Vega e Nordstjernan.

Em 1950 a Empresa já contava com 1600 Funcionários e fazia uma bicicleta por minuto. Na época a Empresa era a principal rival da Monark na Suécia.

 

Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Esta frase caí muito bem em se tratando do que viria depois. Em 1960 foi feita a fusão entre a Nymanbolagen e a Monark, onde agora passara a se chamar de Monark-Crescent AB e o Presidente da Monark agora comanda está nova Empresa.

No entanto a história muda novamente em 1961, quando a Empresa é adquirida pelo Grupo Grimaldi, passando a fazer parte do Cycleurope, um dos maiores conglomerados do ramo ciclístico da Europa.

No Brasil a Marca fez muito sucesso e foi importada por vários Magazines, como as Lojas Mappin, Mesbla e Prosdócimo, que por sinal também as montava aqui com a Marca Prosdócimo.

 

História das Bicicletas Prosdócimo

Inauguração das Lojas Prosdócimo, anos 40

Neste post vamos dar continuidade a série de publicações contando a história das Fabricantes nacionais de bicicletas, contando a história da Prosdócimo.

A história de João Prosdócimo

Na primeira metade do século XX, João Prosdócimo deu início a carreira empresarial através de um pequeno estabelecimento onde se dedicava ao conserto de motores, máquinas de costura, armas de fogo e venda de bicicletas. O comércio localizado na Rua Barão do Serro azul, em Curitiba, Paraná, mas acabou perdendo força com a crise oriunda da Segunda guerra Mundial.

 

A história da Nymanbolagem AB (Nyman Company)

Fábrica da Nyman Company, anos 30

A Nyman foi fundada em 1888, em Stockholm, Uppsala, na Suécia por Anders Nyman. Infelizmente, no ano de 1889, Anders faleceu aos 49 anos, passando o controle da Empresa para sua Esposa, que a transferiu, em 1893, para seus filhos Adolf e Janne Nyman. Entre outras Marcas também produziu a Famosa Hermes. Em 1929 a Empresa cria uma Joint-Venture com a Crescent. As Empresas seguem muito bem e em 1938 juntas produziram em torno de 1 milhão de bicicletas. Em junho de 1947, a Empresa já havia se juntado a outras duas Marcas, mudou o nome para Nymanbolagen AB com um novo logótipo: Um escudo dividido em 4 quadrados, vermelho e amarelo, simbolizando as 4 Marcas Hermes, Crescent, Vega e Nordstjernan. Em 1950 a Empresa tinha cerca de 1600 Funcionários e fazia uma bicicleta por minuto. Em 1960 foi feita a fusão com seu maior concorrente, a Monark, passando a se chamar Monark-Crescent AB. Em 1961 foi adquirida pelo Grupo Grimaldi e formar o Cycleurope Group.

O começo das Bicicletas Prosdócimo

No final da Segunda guerra, nos anos 40, o comércio e indústria do Brasil e de todo o mundo buscavam meios de correr contra o tempo perdido e buscavam alianças locais e fora do País. Foi o caso das Lojas Prosdócimo, que a pouco tempo havia inaugurado o empreendimento comercial, firmou um contrato com uma Empresa de bicicletas Sueca, a Nymanbolagem AB, para a Fabricação de bicicletas da Marca no Brasil. Antes disso a Prosdócimo montava Bicicletas da Marca Alemã Dürkopp, como muitas outras fizeram na ocasião, como a Monark, por exemplo.

 

As bicicletas Prosdócimo feitas aqui eram, na verdade, montadas aqui. Foi só em 1955, após a venda da Empresa, que a produção passou a ser totalmente nacional, haja vista o forte desenvolvimento dos fabricantes nacionais de peças na época.

 

Em 1949, após a venda da Empresa, o filho de João Prosdócimo fundou a Refripar (Refrigeração Paraná S/A), e passou a comercialização da linha de produtos com a Marca do nome da Família, “Prosdócimo”. A Refripar produzia eletrodomésticos, sendo o forte da produção a linha branca (freezers, geladeiras e ar condicionado). A Refripar / Prosdócimo foi vendida em 1996, passando a se chamar Eletrolux.

 

Lojas Prosdócimo, em Curitiba, Paraná

Infelizmente, não temos maiores informações sobre o tempo de produção da linha de bicicletas da Marca.

A história das bicicletas Göricke

Neste post vamos trazer a história de uma excelente bicicleta de origem alemã, a Göricke. 

A Göricke foi uma Fabricante alemã de bicicletas e motocicletas, produzindo desde 1874.

Com sede na Cidade de Bielefeld, a Göricke Werke fabricou bicicletas na Alemanha até os anos 1970, quando a marca foi vendida e passou a ser fabricada pela Empresa Pantherwerke A.G., sediada na Cidade de Löhne.

 

Em 1955 as bicicletas da marca, que até então eram importadas, começaram a ser produzidas no Brasil, na Cidade de São Paulo. A produção das Göricke nacionais duraram pouco, até 1967, quando a Marca foi adquirida pela Monark

 

Göricke modelo turismo, com freio traseiro “torpedo” (contra-pedal)

Eram bicicletas duráveis e resistentes, produzidas seguindo o padrão de qualidade alemão da época. Eram importados poucos componentes (como o cubo contra-pedal Renak), sendo a maior parte das peças produzidas no país, que na época já possuia diversos fabricantes.

 

A Göricke também produziu peças para diversas outras marcas nacionais, tais como: Henke, Sieger, Prosdócimo, Abul, Bérgamo, Wolf, Pátria, entre outras.

Bicicleta Monark / Göricke – reparem no pé – de – vela característico das bicicletas Göricke

 As motocicletas Göricke

Entre os anos de 1903 e 1912 a Göricke começou a produção de motocicletas, com motores monocilíndricos e v-twin.

Em 1924 adquiriram a Marca Fábula, e passaram o produzir motos desta Fábrica. De 1927 a 1933 produziram motocicletas com motores Mag, com 346cc e 496cc, posteriormente também com motores Villierse e Blackburne.

Entre 1933 e 1939 mudaram o foco de negócio, passando a produzir apenas motocicletas mais rápidas, passando a investir mais no desenvolvimento de bicicletas.

De 1953 a 1960 voltou a produção de motos de menor cilindrada, com motores Sachs de 2 tempos, da Monark sueca, de 175cc.

Fonte: Wikipédia

 

Monark Miss Brasiliana 64

Em postagens passadas já havíamos falado da Monark Brasiliana 64, que fez um grande sucesso na época e hoje é uma das mais festejadas pelos Colecionadores.

Entretanto, existiu também uma versão feminina desta série, muito simpática por sinal, era chamada de Monark Miss Brasiliana 64.

Andar com ela era uma delícia. Pneus 26 X 1.1/2 X 2 com a relação 20 X 48, assim como sua versão masculina, é um verdadeiro “Cadillac” com apenas duas rodas.

Esta era uma versão comemorativa, que fazia alusão a recém inaugurada cidade de Brasília, onde seu decalque se faziam referências ao Palácio do Planalto, os Três Poderes, o avião que foi amplamente utilizado no transporte de materiais, inclusive levava em seu paralama dianteiro um adorno em forma de avião. A faixa vermelha simbolizava as vidas perdidas na construção da Capital e azul e branco fazem menção ao céu.

Assim como a versão masculina, ela foi uma das primeiras Monark com peças nacionais, com exceção do sistema de freio, contra-pedal.

Seu quadro, na verdade, era uma herança de modelos Monark anteriores, desde seu início de produção nacional, em 1948, mas antes ainda, da Monark Sueca. Seu design seguiria em versões posteriores da Monark, inclusive dando origem a Monark Tropical, produzida até hoje.

 

Por se tratar de uma das mais procuradas pelos colecionadores, e ter tido êxito de vendas na época, é até comum de se achar a venda em sites específicos.

 

Fácil também é achar suas peças, que são intercambiáveis entre outros modelos da Marca, utilizados ao longo dos anos 60.

 

Peugeot Turismo 3 masculina

Dando continuidade a história das bicicletas Peugeot no Brasil, trazemos agora a, talvez, mais popular delas: a Turismo 3 masculina.

Herdeira das Ballonete francesas – excelentes bicicletas que fizeram enorme sucesso depois da Segunda Guerra, por serem rápidas, elegantes e confortáveis – a Turismo 3 é tida como uma das melhores bicicletas já produzidas no País.

Sua destacada qualidade, oriunda da sua versão Francesa, se comprova através de uma das suas principais características: quase não faz barulho. Isso porque os seus parafusos e porcas dos para-lamas, bagageiro, cobre-corrente e hastes são de 8mm. Caixa do movimento central  e de direção são de 34,7mm e raramente apresentam folgas. 

Se não restam dúvidas de sua excelente qualidade, o mesmo não se pode dizer de sua história. Isso porque, como já havíamos dito antes, a prematura falência da sua Fábrica (Almec indústria mecânica), no início dos anos 80, atrelada a comum falta de documentações e publicidades das antigas fabricantes nacionais, torna bem difícil detalhar sua história, assim como demais modelos fabricados pela marca.

 

Este modelo feito aqui guarda muita semelhança a sua irmã francesa, como o guidon reto. Já os freios não eram iguais, cantillever nas francesas e Center-pull nas nossas.

Atualmente ainda é possível se ver rodando alguns exemplares, quase sempre em bom estado de conservação, devido ao grande número de fãs da marca.

 

A história da Peugeot do Brasil

Neste post vamos falar de uma concorrente da Monark nos anos 70, embora por um curto período, infelizmente. Vamos contar a história da Peugeot do Brasil.

Texto de Marcos Rozen

“Foi em 1977 – apenas um ano após a formação definitiva da PSA, unindo Peugeot e Citroën –, em Montes Claros, Minas Gerais. Desta fábrica saíram legítimas bicicletas Peugeot, já largamente reconhecidas na Europa. A Cycles Peugeot francesa detinha 40% do empreendimento, batizado como Almec Indústrias Mecânicas. Produto: Peugeot 10, concorrente direto da Caloi 10, tipo de bicicleta febre na época baseada em modelo de ciclismo de corrida profissional.

A Peugeot então se apresentou ao mercado brasileiro com uma publicidade impressa hoje memorável – se tivesse sabor, seria deliciosa. Em um texto quase jocoso, o anúncio se aproveitava do total desconhecimento da marca aqui e já mandava logo de cara, direto no título:

 

“Peugeot? – Não me lembro mais como se pronuncia.”

Encerrava o texto publicitário parágrafo que merece ser reproduzido: “(…) naquela época que eu falava Peugeot, eu pronunciava P-e-u-g-e-o-t, com todas as distintas letras. Ao que o pai de Pierre retrucava, alegre e compreensivo:

– Pejô, criança, Pejô.”

O anúncio foi publicado pela primeira vez na revista Veja de 7 de agosto de 1977, e ainda lascava sem dó o slogan “Produzir Bicicletas Como Quem Fabrica Automóveis”, sob o símbolo do leão.
Mas a Almec, que se aproveitava dos benefícios da Sudene, já nasceu meio torta. Era originalmente sociedade da Cycles Peugeot com o grupo mineiro Hermógenes Ladeira, então conhecido por sua Cia. Alterosa de Cerveja. O grupo quase foi à falência, atrasando em muito a construção da fábrica que era negociada desde o início dos anos 70. A Peugeot ameaçou saltar fora, mas foi convencida com empréstimos bancários. Só que quando a empresa de fato iniciou a produção já devia 10 milhões de cruzeiros. A situação nunca foi exatamente muito bem controlada, e logo depois, 1979, a dívida já era dez vezes maior. A Cycles Peugeot viu então que a coisa estava prestes a desandar de vez e saltou fora, pagando multa contratual exatamente do valor da dívida, 100 milhões de cruzeiros.


A Almec então decidiu continuar por conta própria, agora com capital 100% nacional, autorização para manter o nome da montadora francesa e a produção da Peugeot 10 e, em tese, sem dívidas. No fim de 1981 uma parte curiosa da história: a Almec anunciava acordo para fundir e produzir componentes em alumínio no País, e assim, diminuir as importações e reduzir o preço da bicicleta. O acordo foi com a FMB, da Teksid, do Grupo… Fiat. A FMB fundia os componentes em Betim e a Almec os usinava em Montes Claros.

Para a Almec o acordo parecia a solução da lavoura – Com o fim dos benefícios da Sudene, em 1982, degringolou as contas e a fábrica deixou de pedalar, rapidamente caiu e fechou no mesmo ano, interrompendo a produção dos primeiros Peugeot nacionais.

Produção que voltou apenas quinze anos depois, dessa vez em quatro rodas, com a inauguração da planta fluminense da PSA – e dessa vez era para ficar.

Hoje as bicicletas Peugeot 10 são raras no País – as poucas bem conservadas dão disputadas quase que a tapa por colecionadores.”

Curiosidade

A Peugeot Brasileira produziu também uma bicicleta “clone”  da Barra circular da Monark, só que com Barra circular dupla no centro do quadro (Linha Combate), conforme rara foto de um modelo já em estado precário (abaixo).

 

 

A 1ª Bicicleta que a Peugeot (Almec) produziu no Brasil foi a Peugeot 10 – P10, bicicleta de corrida, depois a linha PT (Peugeot Turismo), modelos PT1 de 1 marcha, PT3 de 3 marchas, PT Júnior para adolescentes e a Petit para crianças.
As primeiras Peugeot produzidas contavam com peças importadas, porém após desenvolvimento de alguns Fornecedores nacionais passaram a ser montadas com componentes nacionais.

A Peugeot, em uma 2ª Fase, iria produzir também o Ciclomotor de 50 cilindradas.

 

Monareta Linha Fantástica!

 

Neste post vamos falar da mais equipada e por que não dizer “Fantástica” Monareta de todos os tempos: Apresentamos agora, senhoras e senhores, sua Sua Majestade, Monareta Linha Fantástica, Série Águia Imperial 74.

Em 1974 a Monark preparava a renovação da Monareta de  2° geração, que havia chegado no final de 1970, a popularmente conhecida como de garupa quadrada. Este foi o último ano de fabricação deste modelo (embora na Linha mirim ainda se preservaria este desenho).

 E neste ano, após uma bem sucedida campanha publicitária, a Monark lança, como uma série especial – Linha Fantástica – a sua 3° geração, coexistindo com a de 2° geração.

 

Ela fazia parte da Série Águia Imperial 74, e além de emblemática, por ser a primeira de 3° geração, também era carismática, pelos diversos acessórios que a acompanhavam.

Elas vinham com: Guidon, Selim tipo banana, Santo Antônio e sinaleiras da Monark Tigrão/Tiger Kross, além de uma nova gama de cores, metálicas.

Na traseira, além do novo formato da garupa – fazendo um ângulo de 90° – se destacavam ainda o novo para-lamas – mais curto – e com soleira (ou para-barro) de plástico, assim como a nova lanterna, agora de formato múltiplo, em vermelho e laranja, que era afixada num novo suporte da garupa, peça cromada com 3 varetas de metal, também cromadas, que formavam um conjunto harmônico e bonito, que se seguiriam nos anos seguintes.

Com esta edição especial de Monareta, a Monark deu um tiro certeiro, pois graças a este modelo – 3° geração – ela viria enfim a tirar a liderança da sua maior concorrente, a Caloi Berlineta, assim como se tornar a mais vendida da marca.

Este modelo de Monareta é um dos mais difíceis de se encontrar, preservando plenamente suas características originais

Curiosidade

Existiram dois tipos de configurações para a Linha Fantástica: Uma que já dissemos acima, com guidon, banco banana e sinaleiras da Tigrão / Tiger Kross e outra mais simples, com selim comum com forração tipo couro de boi, assim como o guidon, também comum.

Outro fato curioso era a opção por pneus brancos, algo pouco comum para a época.

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