A história da Peugeot do Brasil

Neste post vamos falar de uma concorrente da Monark nos anos 70, embora por um curto período, infelizmente. Vamos contar a história da Peugeot do Brasil.

Texto de Marcos Rozen

“Foi em 1977 – apenas um ano após a formação definitiva da PSA, unindo Peugeot e Citroën –, em Montes Claros, Minas Gerais. Desta fábrica saíram legítimas bicicletas Peugeot, já largamente reconhecidas na Europa. A Cycles Peugeot francesa detinha 40% do empreendimento, batizado como Almec Indústrias Mecânicas. Produto: Peugeot 10, concorrente direto da Caloi 10, tipo de bicicleta febre na época baseada em modelo de ciclismo de corrida profissional.

A Peugeot então se apresentou ao mercado brasileiro com uma publicidade impressa hoje memorável – se tivesse sabor, seria deliciosa. Em um texto quase jocoso, o anúncio se aproveitava do total desconhecimento da marca aqui e já mandava logo de cara, direto no título:

 

“Peugeot? – Não me lembro mais como se pronuncia.”

Encerrava o texto publicitário parágrafo que merece ser reproduzido: “(…) naquela época que eu falava Peugeot, eu pronunciava P-e-u-g-e-o-t, com todas as distintas letras. Ao que o pai de Pierre retrucava, alegre e compreensivo:

– Pejô, criança, Pejô.”

O anúncio foi publicado pela primeira vez na revista Veja de 7 de agosto de 1977, e ainda lascava sem dó o slogan “Produzir Bicicletas Como Quem Fabrica Automóveis”, sob o símbolo do leão.
Mas a Almec, que se aproveitava dos benefícios da Sudene, já nasceu meio torta. Era originalmente sociedade da Cycles Peugeot com o grupo mineiro Hermógenes Ladeira, então conhecido por sua Cia. Alterosa de Cerveja. O grupo quase foi à falência, atrasando em muito a construção da fábrica que era negociada desde o início dos anos 70. A Peugeot ameaçou saltar fora, mas foi convencida com empréstimos bancários. Só que quando a empresa de fato iniciou a produção já devia 10 milhões de cruzeiros. A situação nunca foi exatamente muito bem controlada, e logo depois, 1979, a dívida já era dez vezes maior. A Cycles Peugeot viu então que a coisa estava prestes a desandar de vez e saltou fora, pagando multa contratual exatamente do valor da dívida, 100 milhões de cruzeiros.


A Almec então decidiu continuar por conta própria, agora com capital 100% nacional, autorização para manter o nome da montadora francesa e a produção da Peugeot 10 e, em tese, sem dívidas. No fim de 1981 uma parte curiosa da história: a Almec anunciava acordo para fundir e produzir componentes em alumínio no País, e assim, diminuir as importações e reduzir o preço da bicicleta. O acordo foi com a FMB, da Teksid, do Grupo… Fiat. A FMB fundia os componentes em Betim e a Almec os usinava em Montes Claros.

Para a Almec o acordo parecia a solução da lavoura – Com o fim dos benefícios da Sudene, em 1982, degringolou as contas e a fábrica deixou de pedalar, rapidamente caiu e fechou no mesmo ano, interrompendo a produção dos primeiros Peugeot nacionais.

Produção que voltou apenas quinze anos depois, dessa vez em quatro rodas, com a inauguração da planta fluminense da PSA – e dessa vez era para ficar.

Hoje as bicicletas Peugeot 10 são raras no País – as poucas bem conservadas dão disputadas quase que a tapa por colecionadores.”

Curiosidade

A Peugeot Brasileira produziu também uma bicicleta “clone” da Barra circular da Monark, só que com Barra circular dupla no centro do quadro, conforme rara foto de um modelo já em estado precário (abaixo)

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2 comentários sobre “A história da Peugeot do Brasil

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