Ciclomotor Monareta

Ciclomotor Monark Monareta S50 1990
Ciclomotor Monark Monareta S50 1990

 

O assunto hoje é Monareta, mas não da nossa queridinha bicicleta, mas do Ciclomotor da Monark. Vamos tentar trazer o máximo possível de informações sobre este ciclomotor, que geralmente era chamado de Mobillete, por razões óbvias, era quase idêntica ao da Caloi.

Vamos começar lá atrás, contando a história da primeira delas, a que deu seu nome tanto a bicicleta como ao Ciclomotor, e posteriormente vamos expandir, contando a história dos Ciclomotores nacionais, assim como o funcionamento do motor de 2 tempos.

HISTÓRIA DO CICLOMOTOR MONARETA

Em 1958, a Monark começou a produção de um dos mais famosos ciclomotores do final dos anos 50 e começo dos 60, a “Monareta”, que era equipada com um motor NSU (alemão) de 2 Tempos de 49cc.

Ciclomotor Monareta 1960
Ciclomotor Monareta 1960

 

Aliás, a Monark foi a primeira a fabricar motocicletas no Brasil, em 1953, produzindo a Centrum, também conhecida por Monark 125cc, equipada com motor inglês BSA, de 2 tempos e monocilíndrico.

Voltando ao Ciclomotor vale dizer que foi fabricado entre 1958 e 1962 e era um sonho de consumo dos jovens amantes das duas rodas da época.

O NOVO CICLOMOTOR MONARETA

Nos anos 70 a Monark voltou com o ciclomotor, pois este tipo de veículo virou uma febre nacional, sobretudo após suspenção das importações em 1974.  A sua eterna rival, a Caloi, havia acabado de lançar um Ciclomotor, sob licença da Francesa Motobecane, que se chamava aqui de Mobyllete Caloi 50, com motor AV7.

Ciclomotor Monark Monareta MSL50
Ciclomotor Monark Monareta MSL50

Este Ciclomotor se chamava Monark Monareta MSL 50. Ela vinha com motor alemão Sachs, de 2 tempos, 49,9 cc, com cilindro na horizontal, o mesmo que já equipava os ciclomotores Motovi-Puch (modelo Maxi Puch), que já faziam grande sucesso por aqui.

Ciclomotor Monark Monareta 50cc
Ciclomotor Monark Monareta 50cc

A Caloi obviamente não poderia ficar para trás e tratou de modernizar seu Ciclomotor, que era uma geração atrás do da Monark, que também era feito sob licença da Motobecane (que por sinal fechou suas portas na França, em 1981), lançando no mercado o modelo AV10, com um motor mais bem acertado que o da série AV7.

Ciclomotor Monark Monareta de 1987
Ciclomotor Monark Monareta de 1987

Pouco depois a Monark também atualizou seu ciclomotor, trazendo um novo motor, quase idêntico ao da Caloi. Agora ambas as fabricantes tinham modelos gêmeos, a Monark com sua AV-X e a Caloi com a AV10.

Comparativo entre Mobyllete e Monareta
Comparativo entre Mobyllete e Monareta

A única, talvez, grande diferença entre ambas era o fato do tanque da Monark ser de plástico embaixo do banco e o da Caloi ser no tubo do quadro, abaixo do guidão, além da lanterna traseira, que na Monark era abaixo do Banco, entre a garupa (que era removível) e a da Caloi era no para-lamas traseiro.

Ciclomotor Monark Monareta AV-X
Ciclomotor Monark Monareta AV-X

Posteriormente a Caloi viria a novamente modernizar seu ciclomotor, trazendo a versão XR, com visual mais jovem, com para-lamas de plástico, carenagem também de plástico, novo Banco e mais potente, embora mantivesse a mesma cilindrada.

Mobyllete Caloi XR 1987
Mobyllete Caloi XR 1987

A Monark tratou de mudar também e trouxe seu novo modelo, a Monareta S50, com visual mais moderno.

Monark Monareta S50 de 1990
Monark Monareta S50 de 1990

Nessa altura do campeonato já era o começo dos anos 90, os ciclomotores já não vendiam tão bem e Monark e Caloi enfrentavam dois grandes problemas: o início das Montain bikes e a abertura das importações, o que acarretou no fim da era dos Ciclomotores para ambas.

CURIOSIDADES

Ambos os ciclomotores da Monark e da Caloi, assim como Garelli e Motovi-Puch, por terem motores de 2 tempos, não possuíam cárter e por este motivo sempre que fossem abastecê-las deveriam ser colocado no tanque o óleo de 2 tempos (2T).

Raio-X de um motor de 2 tempos
Raio-X de um motor de 2 tempos

Geralmente a medição do óleo a ser inserida no tanque era feita através da tampa de combustível, na proporção de 2 medidas de óleo para cada litro de gasolina.

Tampa de combustível medidor da Mobyllete
Tampa de combustível medidor da Mobyllete

Este tipo de motor, de 2 tempos, possuía um sistema automático de embreagem com variador, feito por correia junto à polia cônica, similar ao sistema CVT (transmissão continuamente variável, continuosly  variable transmission, em inglês), onde o motor em giros baixos roda apenas o platô, ao passo que à partir do acionamento do acelerador, as molas da parte superior do platô se abrem, colando na parede da embreagem, num movimento centrífugo, abrindo posteriormente as sapatas, expandindo em seguida o variador junto a correia, colocando o Ciclomotor em movimento, que só se interrompe soltando o acelerador. Sem dúvida um sistema muito engenhoso, sobretudo se considerarmos que já tem quase um século.

Sistema de embreagem automática da Mobyllete
Sistema de embreagem automática da Mobyllete

O sistema de partida é feito através do pedal, fazendo-se o uso simultâneo de um afogador, para injetar gasolina no carburador, além da mistura óleo / gasolina, como já dissemos.

Motor 2 tempos completo
Motor 2 tempos completo

Por falar em curiosidades, que tal sabermos mais da história dos modelos de Ciclomotores que tivemos por aqui?

Motovi-Puch Maxi K2
Motovi-Puch Maxi K2

A Motovi foi uma Indústria Nacional que fabricou no Brasil, à partir de 1972, Ciclomotores da Marca Austríaca Puch, que fizeram enorme sucesso por aqui, tanto que despertou a Monark, que ressuscitou seu Ciclomotor Monareta. Ela também fez sob licença no País Motos da Americana Harley Davidson. Fechou suas portas em 1979, após ser comprada pela Honda

Ciclomotor Motobecane Moby
Ciclomotor Motobecane Moby

Não é nacional, mais era este o modelo licenciado para a Caloi, que conhecemos como Mobyllete AV7 – Francesa. Este foi um dos modelos de Ciclomotores feitos pela Motobecane nos anos 70. Fechou suas portas, como já dissemos, em 1981 na França.

Ciclomotor Garelli Kátia
Ciclomotor Garelli Kátia

A Garelli-Kátia chegou a Brasil no começo dos anos 70, pela Ibramotos, com preços acessíveis e  tinha fortes concorrentes como as Mobylletes e Monaretas e várias outras que por suas dimensões reduzidas e motores com menos de 49.9 cc podiam ser usadas por jovens e adultos sem habilitação, graças a algumas lacunas do código de trânsito podia-se usar ciclomotores e até andar de moto sem capacete dentro do perímetro urbano.

A Kátia tinha características interessantes principalmente sua altura total de 93cm que facilitava o uso por jovens

e crianças.

Motor 49cc – 2T
Peso 45kg
Tanque 2,2 litros
Velocidade máxima 44 km/hora 

Foi fabricada na Itália, Brasil (Ibramoto) e Argentina.

Ciclomotor Ponei 50
Ciclomotor Ponei 50

Introduzida no Brasil, juntamente com a Garelli, pelas mãos do Sr. Antônio Carlos Pagano Brundo, mais conhecido por ‘Tao’, a Fabrica Brumana Pugliesi debutou no mercado nos anos 70, ao lado da sua semelhante Garelli Kátia e Eureka.

Publicidade Brumana Pugliesi anos 80
Publicidade Brumana Pugliesi anos 80

Além do Ciclomotor Ponei a Brumana Pugliesi fabricou as últimas Lambrettas e a Xispa, uma simpática Moto, algo próximo dos Scooters de hoje. Fechou suas Portas em 1982.

Ciclomotor Garelli Eureka
Ciclomotor Garelli Eureka

Além da Kátia e da Garelli 3 marchas, a Ibramotos também tinha o Modelo Eureka, um modelo muito raro por aqui.

Ciclomotor Leonette Jawa
Ciclomotor Leonette Jawa

Feito no Rio de Janeiro, no Bairro de Bonsucesso, pelas Indústrias Leon Herzog, nos anos 60, foi uma coqueluche na época. Vinha com motor Jawa, da Tchecoslováquia. Seu desenho era inspirado nas Mobylletes Motobecane francesas, com moldes adquiridos numa feira em Frankfurt, Alemanha. O primeiro modelo tinha 2 marchas, com seletor no manete. Sofreu a primeira modificação em 1965, com um novo carburador, que permitia manter a velocidade de 50 km/h. Em 1967 recebeu um novo motor Jawa, de cilindro na horizontal, com 3 marchas acionados com o pé e partida por quique, onde a fazia chegar aos 80 km/h. Foi feita até o ano de 1971, sendo o último modelo chamado de Mustang M20.

Ciclomotor Graziella
Ciclomotor Graziella

Espécie de Scooter, este simpático Ciclomotor também chamado de Motograziella, dos anos 60, era italiano, da Empresa Carnielli, e vinha equipado com um motor alemão Sachs (mesmo da Monareta MSL50), era compacto e dobrável, podendo ser guardado em lugares bem pequenos.

Ciclomotor Velosolex 1970
Ciclomotor Velosolex 1970

Ciclomotor Francês criado em 1942, por Marcel Mensessol, como protótipos para teste através dos Funcionários da Fábrica Solex, sendo o modelo definitivo lançado em 1945. Em 1974 foi lançada o modelo 4600 para exportação, com farol dianteiro e lanterna traseira. Tinha o motor à fricção acoplado por sob a roda dianteira. Chegou ao Brasil através da Empresa Inter-americana, que a montava no Centro do Rio de Janeiro. Foram vendidas aqui os modelos 3800 e 5000 (menor), nos Magazines Mesbla, Sears e Hermes Macedo. Foi fabricada até 1975, logo após a proibição das importações no país.

Gullivette Lavalette
Gullivette Lavalette

Foi um dos primeiros Ciclomotores brasileiros, lançado em 1957, antecedendo a Leonette, pela Gulliver, Empresa criada pelo Sr. Leon Herzog. Tinha motor de 49cc, similar ao da Motobecane francesa. Foi feita até 1957, onde após um desentendimento, com seu Sócio, Sr. Leon fechou a Gulliver, criando posteriormente as Indústrias Leon Herzog.

Ciclomotor Agrale Sport 50 1976
Ciclomotor Agrale Sport 50 1976

Primeiro Ciclomotor da Agrale, foi construída sob a base da Alpina 50, que era feita pela Italiana Morini e montada em Caxias do Sul, na década de 70.

Garelli 3
Garelli 3

Mais um Ciclomotor da Ibramotos, teve enorme sucesso, pois tinha aparência igual das motos. Vinha motor monocilíndrico, de 2 tempos, 49cc, sistema de partida mecânico, diâmetro do curso (mm) 40 x 39, taxa de compressão 10,8 : 1, carburador de fluxo horizontal, transmissão com câmbio de 3 velocidades, com acionamento pelo manicoto (punho) esquerdo, embreagem multidisco, em banho de óleo e ignição por magneto.

Ciclomotor Itália 1
Ciclomotor Itália 1

Foram fabricados apenas umas 2500 unds deste modelo pela Alpina do Brasil S/A, entre 1974 e 1975, com motor, carburador, entre outras peças, importados da Itália, daí o nome de Itália 1.

Ciclomotor Alpina
Ciclomotor Alpina

Depois de 1975 mudaram o nome da Itália 1 para Alpina T 50, que foi o último modelo produzido antes do fechamento da Empresa, que foi adquirida pela Agrale S/A, nos anos 80, que continuou com os Ciclomotores, como a Sport 50, a XT, a Tchau entre outros de 49cc. Nota-se uma semelhança com as primeiras Monaretas com motor Sachs, sobretudo na traseira.

Ciclomotor Brandy NS2
Ciclomotor Brandy NS 1

A Fabricante Brandy, a mesma que fazia peças de reposição para motos e também as Bicicletas Brandaine, nos anos 70, também fez seus Ciclomotores, com motor Italiano Zanella, em meados dos anos 80.

Ciclomotor Agrale/Garelli Júnior
Ciclomotor Agrale/Garelli Júnior

A Agrale, além de comprar a Alpina, também adquiriu a Garelli / Ibramotos (daí a semelhança entre a Garelli 3 e a Agrale XT), e debutou a “Joint venture” com o Ciclomotor Júnior, no começo dos anos 80.

Ciclomotor Agrale XT
Ciclomotor Agrale XT

Ciclomotor também da Agrale, o modelo XT foi lançado em meados dos anos 80, e tinha certa inspiração na Garelli de 3 marchas. Muito bonita, foi o mais próximo na época de uma moto de verdade.

Agrale Tchau
Agrale Tchau

Agrale Tchau, foi o canto do cisne da era de ouro dos Ciclomotores, pois foi lançada no começo dos anos 90, em substituição ao modelo Sport 50. Vinha com o motor Italiano Moto-morini, que rendia quase 20% a mais que os demais ciclomotores da época, rodas de liga leve, parecia uma moto, sobretudo se considerarmos modelos atuais, como a Honda Pop 100. Pena que vendeu pouco e hoje é rara.

Publicidade Monark Monareta de 1982
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17 comentários sobre “Ciclomotor Monareta

  1. Perfeito já que alguns modelos eu ainda não tinha visto , sou proprietário de um monark Sachs 1978 , é uma alpina 1980.
    O blogue está de parabéns pelo conteúdo …

  2. Comprei uma Agrale XT e estou restaurando, tudo original e o mais incrível ela estava intacta. Queria comprar o manual ela é azul como está da foto, nos próximos meses acho que vou concluir este sonho de 30 hehehehe

  3. Estou restaurando uma garelli 3 1980 falta poucas pecas alguém sabe onde encontro peças ou motor para retirar peças.

  4. Fantástica a sua pesquisa, a mais abrangente que já ví. Deveria chegar até os dias de hoje, com as Bikeletes. Parabéns!

    • Obrigado Luiz Roberto! É que nosso enfoque era ilustrar o cenário do mercado dos ciclomotores durante o período de fabricação da Monareta, por essa razão não nos estendemos até o momento atual. Grande abraço

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