A história da bicicleta brasileira

Monark Brasiliana 1964
Monark Brasiliana 1964

Neste post vamos tentar trazer o máximo de informações sobre a história da bicicleta brasileira, algo pouco documentado, mais sem dúvida de grande importância para a história do ciclismo nacional.

AS PRIMEIRAS BICICLETAS NO BRASIL

A história da bicicleta no Brasil é sempre um tema de certa polêmica, apesar de pouquíssimos estudiosos ou pessoas simpáticas ao tema, terem se debruçado sobre ele. Vários são os fatores que conduzem ou favorecem a essa situação, com destaque, sem dúvida, à ausência de uma bibliografia específica, até por que, foram poucos a escreverem sobre o tema ao longo do séc. XX. Anterior a esse período, a coisa fica reduzida a notícias de jornais, e alguns informativos de clubes. As primeiras bicicletas chegaram no Brasil no final do Século XIX, também provenientes da Europa. As Cidades de Curitiba, no Paraná, e São Paulo receberam um grande número de imigrantes Europeus, de onde datam os primeiros registros de utilização da bicicleta por aqui. Em 1895 já existia um Clube de ciclismo, organizado por imigrantes provindos da Alemanha, em Curitiba. Em São Paulo foi construído o primeiro Velódromo do País, ainda no ano de 1895 e pouco depois foi fundado, também em São Paulo, o Veloce Club Olímpico Paulista.

Registro do primeiro Clube de bicicletas do Brasil, em Curitiba, 1895
Registro do primeiro Clube de bicicletas do Brasil, em Curitiba, 1895

Para o Brasil do final do Século XIX e início do Século XX a bicicleta era uma realidade distante, devido aos altos custos de importação e da inexistência de fabricantes e oficinas em território brasileiro. Se, por um lado, as bicicletas eram um atrativo e um deleite para as classes mais abastadas – essa fase ocorreu praticamente em toda à Europa e também no Brasil – quando aconteceu sua massificação no país, logo após a II Guerra Mundial e durante a década de 50, elas adquiriram o Status de “veículo da classe trabalhadora”, ou seja, já discriminadas pela Sociedade consumista do pós-guerra.

As dificuldades para a implantação de um Parque industrial voltado à produção de bicicletas foram grandes no início do Século XX. A situação foi agravada por vários problemas de ordem interna, todos de caráter político e com seus inevitáveis desdobramentos negativos no plano industrial e social:

  • Crise de 1929
  • Revolução de 1930 (ascenção de Getúlio Vargas)
  • Revolução Constitucionalista de 1932
  • Revolução Comunista de 1935
  • Estado Novo de 1937
  • II Guerra Mundial de 1939 a 1945

Somente no final da década de 40, é que a Indústria voltada para a produção de bicicletas, lançaria suas bases para deslanchar na década seguinte.

Durante esse período de incertezas pequenos empresários semelhantes à Família Scattone, Miguel Chiara, Casa Luiz Caloi, Dimas & Felix Pneus e Artefatos Condor, importavam bicicletas, componentes e acessórios. Mediante algumas adaptações de ferramental, esses mesmos empresários começaram a produzir vários modelos de quadros e para-lamas para montagens próprias, produzindo excelentes bicicletas.

O COMEÇO DA MONARK E DA CALOI BRASILEIRA

Em 1º e 10 de abril de 1948, Monark e Caloi, iniciaram suas atividades industriais e comerciais, segundo registros levantados na Junta Comercial de São Paulo. Antes desse período elas atuavam no país, como importadoras e distribuidoras de algumas marcas Europeias de boa qualidade.

Monark Brasiliana mirim 1964
Monark Brasiliana mirim 1964

A década de 50 foi promissora para a fabricação e comercialização de bicicletas no Brasil. Além da Monark e Caloi, Fabricantes de menor porte como a Role, Patavium, Pimont, Gorick, Hélbia, Gallo, Coringa, Regina, Erpe, Mercswiss, Tamoio, Celta, Victory, Adaga, NB, Bérgamo, Everest, Apolo, Bekstar, Bluebird, Scatt, Rondina, Wolf, Royal, Marathon, Luxor, Centrum, Rivera, e tantas outras marcas, produziram material de alta qualidade e competência.

Bicicleta Mercswiss dos anos 50
Bicicleta Mercswiss dos anos 50

Essas marcas ainda tinham o desafio de concorrer com as importadas provenientes da Inglaterra, Itália, França, Suécia e Alemanha. Estas bicicletas eram importadas pelos magazines: Mesbla; Cássio Muniz; Lojas Pirani; Mappin e Eletrorádiobras.

No final dos anos 50, outro dado de suma importância e pouco lembrado para os que desejam entender a razão de estarmos na contra mão dos países civilizados quanto à utilização racional da bicicleta, mais especificamente, sob a Presidência de Jucelino Kubitschek, quando este, mudou a “matriz” do transporte em nosso país, fazendo a opção pelos veículos motorizados, inclusive, trazendo para cá, as primeiras montadoras de veículos leves, ônibus e caminhões, deixando de lado as Ferrovias e Portos.

Havia espaço para o mercado crescer mais, afinal, o carro ainda era um sonho longínquo para a grande maioria, e a situação era confortável para os fabricantes até o advento da Revolução de 64, e as reformas monetárias que se seguiram. Os fabricantes que tinham dívidas atreladas ao dólar devido a importação, principalmente de máquinas, ruíram, pois o acesso aos empréstimos governamentais foram suspensos.

Nesse contexto de dificuldades para a maioria, Caloi e Monark começaram a deslanchar em busca do domínio do mercado de bicicletas. As duas “grandes fábricas” vão pulverizando aos poucos as “pequenas notáveis” que sobreviveram, mediante aquisição e fechamento das marcas.

Na verdade, essa história foi marcada por grandes episódios de muita garra e superação, além de outros menos dignos que envolveram a criação de algumas dificuldades para os concorrentes com menor poder de fogo. Sempre fora uma atitude corriqueira das duas Empresas na busca da monopolização do mercado de bicicletas, que perdurou durante algumas décadas do século passado. O fatídico “gran finale” que fechou esse período foi o encerramento das atividades da “Bicicletas Peugeot do Brasil S/A”, cujo complexo industrial estava instalado na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Série Olé 70 da Monark
Série Olé 70 da Monark

O monopólio de mercado se deu até o final da década de 80, com o advento mundial do Mountain bike e a abertura do mercado nacional já no início dos anos 90, inicialmente para as bicicletas produzidas em Taiwan e na China.

A partir desse momento o mercado sofreu uma brutal transformação, quer pela entrada de produtos com altíssima qualidade (outros nem tanto, mais com preço mais em conta), bem como o perfil do consumidor da classe média, que passou a ser bem mais exigente, e das Classes C, D e E que agora poderiam adquirir bicicletas mais baratas e de grande apelo visual, como no caso das Savoy e Royce Union. Em decorrência dessa nova situação Caloi e Monark quase naufragaram, sendo que a primeira deixou de ser uma empresa familiar, e sob uma administração competente, voltou a ocupar uma boa fatia no mercado nacional de bicicletas. A Monark fechou duas fábricas, em Manaus, onde uma carta enviada aos Funcionários demitidos dizia que era preferível fechar as portas do que fazer bicicletas com péssima qualidade, como as da China, e em São Paulo. Hoje possui uma Fábrica, em Indaituba, São Paulo, sobre a Administração do Sr. Marzagão, dono da Empresa, que tem administrado com muita competência, que se reflete nos números dos últimos balanços da Empresa, embora seu portfólio de produtos seja bem pobre.

A Monark optou por concentrar sua produção nas chamadas bicicletas de transporte, carga, infantis e Montain Bikes e mantém uma boa participação nos mercados Norte e Nordeste do Pais, graças a seu grande trunfo, a Barra circular, campeã de vendas da marca a décadas e que continua sendo copiada pelos outros fabricantes. Lógico, sem aquela antiga liderança que há muito perdeu, onde no seu auge chegou a vender algo em torno de 2 milhões de bicicletas por ano.

Hoje o mercado conta também com Fabricantes como a Sundown e a Houston, que fabrica no Piauí e prepara uma nova planta em Manaus, e conta com um grande trunfo para a sua performance de vendas: Entre outras empresas, são proprietários de uma rede de lojas de varejo chamada Armazém Paraíba, com mais de 500 lojas espalhadas pelo Nordeste, Norte e Centro Oeste.

CURIOSIDADES

No final dos anos 70 as grandes Caloi e Monark, diante de um grande sucesso de venda de suas bicicletas, se aventuram no ramo das Motos, mais precisamente dos ciclomotores. A Caloi adquiri a licença para fabricar no país o Ciclomotor Francês Motobecane, dando o nome de Mobyllete, de 49,9 cc o modelo AV-7.

Mobyllete Caloi
Mobyllete Caloi

Já a Monark, também adquiri licença da Motobecane, lançando um modelo mais moderno que o da Caloi, adotando o nome de Monareta, fazendo alusão ao Ciclomotor da Monark dos anos 60, modelo MSL50, com motor Alemão Sachs, de 2 tempos e 49cc.

Ciclomotor Monark Monareta MSL50
Ciclomotor Monark Monareta MSL50

 

Ciclomotor Monark Monareta AVX
Ciclomotor Monark Monareta AVX

Posteriormente a Caloi também atualizou seu Ciclomotor, lançando o modelo AV10.

Ciclomotor Mobyllete AV10
Ciclomotor Mobyllete AV10

Ao longo do tempo a Monark lançou o modelo AV-X (uma cópia da AV10 da Caloi) e S50 e a Caloi o XR, que seguiram até o final dos anos 80.

Fontes:

http://www.revistabicicleta.com.br/bicicleta.php?a_historia_da_bicicleta_no_brasil&id=951

http://www.escoladebicicleta.com.br/historiabicicletaBrasilA.html

http://www.museudabicicleta.com.br/museu_hist.html

http://escoladebicicletacorreio.blogspot.com.br/2011/11/bicicletas-monark-fatos-e-fofocas.html

 

 

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