A moda das bicicletas antigas

Monark BR 65
Monark BR 65

Um movimento vem ao longo dos anos se tornando mais intenso. Estou falando dos colecionadores e aficionados por bicicletas antigas. Um hobby para muitos, para outros um resgate de uma época feliz e para alguns um movimento cult, retrô ou vintage, como veem sendo propagados.

OS COLECIONADORES

No rastro dos programas de TV a cabo norte-americana como o Overhaulin’ do Discovery Channel, o programa Lata Velha, apresentado aos sábados na Rede Globo por Luciano Huck, é um reality show que acompanha a restauração completa do carro de algum telespectador.

Os programas do gênero ajudam a disseminar entre os mais jovens o amor pelas antigüidades, seja carro, moto ou bicicleta.“Muita gente que gosta de carros antigos acaba migrando para as bicicletas, pois é mais fácil e não tem motor”, garante Marcelo Afornali, curitibano de 35 anos pós-graduado em História, apaixonado por tudo o que é antigo e com mais de 50 restaurações no currículo. “Sou um verdadeiro ímã de ferro-velho”, diverte-se.

Marcelo Afornali
Marcelo Afornali

O perfil dos aficionados por bicicletas antigas é bem diversificado. Até uns 10 anos atrás, pessoas da faixa dos 40 anos começaram a se interessar pelas marcas brasileiras – antes, o interesse era só pelas importadas e as nacionais chegaram a ser desprezadas por causa da baixa qualidade, embora bicicletas nacionais até a década de 60 e início de 70, tenham uma excelente qualidade, haja visto as primeiras Caloi 10.

Muitos adeptos do “Biciantiguismo”, com certeza, um termo pouco divulgado ou conhecido entre os adeptos desse hobby, porém, apropriado para identificar os colecionadores de bicicletas antigas, procuram bicicletas que lhe marcaram uma época em suas vidas, outros procuram a antigüidade por influência de parentes próximos.

Amigos do pedal
Amigos do pedal

A moda das antigas já gerou o surgimento de grupos e eventos. Em Curitiba, o próprio Afornali organizou duas edições de um rali para bikes antigas, em 2004 e 2005, que reuniu cerca de 30 participantes.

Em São Paulo, todo primeiro domingo do mês proprietários de antigas se reúnem na Estação da Luz para conversar e pedalar. “A bike restaurada deve ser curtida, afinal deu tanto trabalho ao colecionador”, afirma.

Exposições de bicicletas antigas também vem se tornando cada vez mais constantes no país, onde se reúnem colecionadores, aficionados, comerciantes e curiosos.

 

Exposição que ocorreu em Santa Catarina
Exposição que ocorreu em Santa Catarina

ESPECIALISTAS NO PASSADO

O paulistano Marcos José Perassollo, de 52 anos e desde 1984 envolvido com restaurações de bikes antigas, é considerado o maior especialista do Brasil no assunto e já restaurou mais de 150 bicicletas. Perassollo é um artista que divide seu tempo entre “mock-up” (réplicas fiéis de objetos usadas em propagandas) e restaurações.

No seu galpão no bairro do Butantã tem mais de 300 bicicletas. Dessas, 80 estão perfeitas e 30 têm “nível internacional de qualidade”. A jóia de sua coleção é uma Bone Shaker, aquelas bikes com rodas dianteiras gigantes do final do século XIX.

Outro destaque de seu acervo é uma italiana Fratelli Vianzone, todinha de madeira.

Bicicleta italiana Fratelli Vianzone
Bicicleta italiana Fratelli Vianzone

Afornali também tem um acervo considerável com 25 bikes. A mais antiga é uma bike alemã Wanderer, de 1929, em perfeitíssimo estado. Mas o curitibano se recusa a ser chamado de restaurador. “Sou apenas um especialista em marcas de bicicletas antigas”.

Ambos põem a mão na massa e só mandam fazer fora a pintura, cromação e, eventualmente, algumas peças. Tanto Perassollo quanto Afornali têm oficinas próprias e com ferramentas de época, em polegadas.

Eles recebem a bicicleta, a desmontam e avaliam as necessidades. A partir daí, correm atrás do necessário.

Ambos são unânimes ao afirmar que a restauração, mais que um ofício, é uma paixão. “O dinheiro que ganho é para sustentar esse vício. Não é pela grana”, garante Perassollo.

Além das bicicletas, colecionadores têm também roupas, acessórios, componentes (muitas vezes na caixa), ferramentas, cartões postais, revistas, catálogos, capacetes e sapatilhas.

O sonho de ambos é o mesmo: abrir um museu. “Precisamos principalmente de apoio financeiro. Precisamos também de um prédio seguro”, diz Afornali.

Mais para outros este sonho já é uma realidade, como é o caso de Valter F. Bustos – Diretor do MUBI, Museu da bicicleta de Joinville.

Museu da Bicicleta de Joinville - Mubi
Museu da Bicicleta de Joinville – Mubi

O Museu da Bicicleta de Joinville, é o único do gênero em toda América do Sul.
Seu acervo composto por mais de 16 mil peças variadas, está localizado no Complexo Ferroviário de Joinville, bairro Atiradores, junto à Praça Monte Castelo, zona Sul da Cidade.

Desde sua inauguração, já passaram pelo museu mais de 60 mil pessoas de nacionalidade brasileira ou estrangeira.

O atendimento é feito através de ações de monitoria especializada (mediante solicitação), trabalho com escolas, agências, operadoras e grupos de turistas.
De sua variada coleção destacam-se: a vitrine de faróis composta por peças a partir do século XIX, a oficina de restauração onde acontecem as intervenções, além de diversas bicicletas tais como: Peugeot 1952 com aros de madeira, Durkopp 1934 equipada com eixo cardan (sem corrente), um Rickshaw indiano todo pintado à mão e uma Rivera 1956, projeto nacional, com suspensão sobre molas nas rodas dianteira e traseira, uma inovação tecnológica espetacular para o período.

Um colecionador de verdade gosta de pedalar sua antiga. “É um pecado deixar uma jóia dessa na garagem”, concordam Perassollo e Afornari.

O prazo para a restauração varia de modelo para modelo e de bike para bike. Perassollo restaura uma Phillips em 45 dias, já uma Bianchi demora mais – no mínimo uns 60 dias.

Não existem escolas para se aprender a restaurar. Amantes das antigas aprendem com muita pesquisa e com outros colecionadores-restauradores.

Muitos donos de antigas põem a mão na massa e aprendem com os próprios erros e, na maioria das vezes, recuperam a bicicleta.

MOVIMENTO RETRÔ

Mas para outros colocar a mão na graxa, se sujar ou garimpar peças não passa nem pela cabeça. São os adeptos do movimento Retrô ou Víntage, que cada vez mais ganham força, em várias áreas, inclusive no ciclismo, onde compram bicicletas antigas restauradas ou até mesmo modelos novos, mais com aspecto de antigas.

Réplica da Caloi Ceci
Réplica da Caloi Ceci

Estas bicicletas, muitas das vezes, custam até mais que suas similares antigas, como é o caso desta réplica da Ceci.

O fato é que todo este movimento em torno das bicicletas antigas tem aquecido o mercado das colecionáveis, onde a procura é grande e, por consequência, os preços dispararam. Até 2007 você conseguia compras uma Monareta em bom estado de conservação por no máximo R$ 250,00 (em valores atuais) e hoje não compra por menos de R$ 650,00.

Nós, amantes do “Biciantiguismo”, gostamos muito, pois nossa paixão está em evidência, embora os preços estejam nas alturas. Não estamos mais sendo conhecidos por “aquele catador de ferro-velho”, mais de aficionados ou colecionadores de bikes clássicas.

Fontes: Bike Magazine, Revista da bicicleta e Mubi – Museu da bicicleta de Joinville

 

 

 

 

 

 

 

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