Adeus minha Amiga

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Este post vou dedicar a memória da minha inesquecível Monareta, a que aparece aí na foto, pois fiquei sabendo somente hoje, 16/10/2011, que minha ex-esposa a vendeu, mesmo sabendo do valor que ela tinha pra mim e que Eu a havia passado ao meu filho, tal qual meu Pai passou para mim.

A história desta minha amiga começou em 1986, onde meu Pai sabia que meu sonho sempre foi ter a minha Bicicleta. Numa ocasião imperdível ele conseguiu compra-la. Apesar de na ocasião a Monareta ter 7 anos de uso, seu estado de conservação era impecável.

Lembro-me bem daquela tarde em que meu Pai a trouxe pra casa, a felicidade que senti foi tamanha que hoje, lembrando, ainda sinto no peito a sensação da alegria que me tomou naquele dia.

Com todo o cuidado do mundo a conduzi até a rua, onde dei minha primeira volta nela. Parecia magia, um estado de espírito que contagia quem esta próximo. Não estou exagerando uma só vírgula neste texto.

E assim foram se sucedendo dias, meses, anos e nós juntos, sempre.

De tempos em tempos dava uma geral nela. Juntava uma graninha tomando conta de carros, fazendo caixotes de madeira e vendendo no Ceasa, trabalhando de carteiro na associação de moradores, tudo para investir na minha bike.

Ela originalmente era verde bandeira, e esta foi a cor que mais a pintei, mais também já foi azul, preta e grafite. Já coloquei pneus originais, de cross, aros originais, aros de BMX, no final ela tinha caximbo de Monark 10, aros de BMX, pneus Pirelli originais, pinhão de 16 dentes (os menores que existem) e coroa da Monark 10, onde a corrente ficava na maior coroa, de 52 dentes.

Foi com esta bike que Eu visitava nos finais de semana os meus saudosos avós, onde pedalava uns 30 minutos para chegar. Foi com ela que Eu ia até o depósito comprar gás de cozinha, onde o botijão encaixava-se perfeitamente na sua garupa e Eu passava o esticador e terminava de prender.  Foi com esta bicicleta que Eu botava uns “pegas” no Ceasa, onde nos sábados vários ciclistas profissionais iam treinar, devido a excelente pista que havia naquela ocasião. Foi com esta bicicleta que Eu ia as noites neste mesmo Ceasa fazer uma “xepa”, onde buscava alimentos que sobravam nos Pavilhões. Foi com esta bicicleta que buscava a minha namorada, que futuramente viria a ser a minha esposa e mãe dos meus filhos. Foi com esta bicicleta que muitas vezes, sentado ao seu lado ou mexendo nela, conversava sobre diversos assuntos.

No dia em que sai de casa disse a meu filho: ” Filho, estou te passando, da mesma forma que meu Pai me passou, esta bicicleta. Cuide dela da mesma forma que Eu e quem sabe no futuro, você faça o mesmo ao seu filho”.

Pois é, não adiantou nada, ele a deixou de lado e não foi capaz de dizer a mãe que não a vendesse.

Hoje me sinto muito triste, pois fiquei sabendo que uma amiga, a minha melhor amiga, se foi pra sempre.

Descanse em paz querida amiga.

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26 comentários sobre “Adeus minha Amiga

  1. Só quem realmente vivia em cima de uma Monareta, sabe o quanto ela é valiosa. Nao tenho idéia de quantos Km rodei com ela. Hoje, com 48 anos, adquiri uma Monareta. Está muito bem cuidada com pneus e pintura original.
    Amigão, procure uma pra vc.

    • Oi Ivan, Olha, coincidentemente hoje, já chegando em casa, vi uma senhora numa Monareta idêntica a minha quando ganhei ! Muito bem conservada, inclusive a cor era igual. Bateu uma saudade grande, mais nenhuma substituirá a minha amiga. Grande abraço.

  2. eu tive duas… uma pequena e outra maior Meu irmão ganhou primeiro e foi crescendo e passando pra mim… rss as duas eram vermelhinhas… eu lembro de andar nesta monareta com mais tres crianças comigo… uma na garupa que pedalava eu sentava no banco e outra no meio e outra no guidão era muito legal!! que infância boa que tivemos né…

    • Oi Alessandra, legal você ter compartilhado conosco sua história com a Monareta. Sem dúvidas nós que tivemos esta bicicleta temos sempre muitas histórias legais para compartilhar. Grande abraço.

  3. Lá por 1982 ou 1983, aprendi a andar de bicicleta em uma monareta aro 16, que herdei do meu irmão.
    Confesso que quando me deram fiquei insatisfeito, porque eu queria uma Caloi Cross nova, que era lançamento em virtude do filme do E.T.
    Não fiquei entusiasmado também por saber que ela era do meu irmão. Enquanto ele ganhou uma Sprint 10 novinha, eu fiquei com a monareta dele.
    Não tive motoneta nem bicicleta com rodinhas. Aprendi a andar em um dia, ao custo dos dois joelhos duramente escalavrados. Comecei de manhã no pátio do edifício e no final da tarde já dominava a bike como se tivesse andado durante muitos anos.
    Minha relação com ela foi ótima, dos 7 anos até os meus 10, quando ganhei uma Caloi Cross Extra, cor de vinho, ano 1985. Aposentei a minha monareta 16, pq também estava pequena para mim, mas até hj tenho saudades dela.
    Outro depois de uns 10 anos sem andar de bike, resolvi comprar uma Caloi nova para ir para o trabalho e passear com o meu filho.
    A primeira vez que saí com ela na rua, lembrei-me daquele dia que comecei a andar na minha monareta. Tenho muitas lembranças boas a bordo das minhas bicicletas, mesmo as ruins que tive. Todavia, nenhuma delas foi mais marcante que em cima da minha monareta.

  4. Corri, muito pela Monark BMX, na equipe do Sr. Orlando Camacho, fiz inúmeras apresentações, e treinavamos antes de ter a pista de bicicross da marginal, em uma pista de motocross alí ao lado. Naquela época, tinhamos uns doze garotos da Mooca correndo pela Monark. Infelizmente não tenho nenhuma foto, só as lembranças em minha mente.

  5. Tive uma monareta verdinha igual a essa sua na década de 90, ela já era considerada ultrapassada e os meninos da rua riram da minha bike. Eu vendi nem sei por quanto e até hoje me lembro dela. Agora adulto comecei a procurar em ferros velhos, já tenho 3 quadros e algumas peças para montar. A primeira vai ser uma verde, igual aquela que tinha.

  6. Minha primeira bicicleta foi uma Monareta Águia Imperial 1974, roxa. Tinha muito orgulho dela, pois ela tinha a minha idade. Ganhei ela de um tio meu quando ele foi presenteado com uma Monark 10, tinha então dez anos. Aprendi a andar de bicicleta nela, e como eu não alcançava os pedais nem com o banco na posição mais baixa, meu avô fez um banco de madeira, mais baixo para que eu pudesse andar.
    Essa bicicleta despertou meu espírito de graxeiro, desmontei ela várias vezes, queria que ela estivesse sempre em perfeita ordem.
    Conheci toda a minha cidade (Santa Maria-RS) a bordo dessa bicicleta. Quando não estava na escola, consultava um mapa da cidade que o meu avô possuía em uma moldura. Ia lá sorrateiramente e traçava meu trajeto, depois, escondido, vasculhava toda a cidade. Outros tempos…. Fiz amigos com essa bicicleta, alguns convivem comigo até hoje.
    Após uns três ou quatro anos com ela, meu irmão mais novo ganhou uma Caloi 10, bem detonada, mas com cubos de roda, ferraduras e avanço de alumínio. A bike era muito grande para ele e então eu propus uma troca: reformaria a Monareta e daria para ele em troca da Caloi 10. Ele aceitou, embora anos mais tarde ele tenha me dito que eu o havia enganado……
    Ela andou mais alguns anos com ela, mas já descaracterizada. Eu pintei-a de azul pavão, sob os protestos do meu avô que me dizia que ela valia mais original, não dei ouvidos.
    Quando a bicicleta ficou pequena para o meu irmão ela ficou um tempo abandonada na garagem.
    Meu avô tinha um afilhado bem carente e surgiu a idéia de dar a Monareta para ele. Pintamos ela novamente, dessa vez de um verde horrível e presenteamos o menino.
    Alguns anos mais tarde vi ele com a bicicleta, que já não tinha os paralamas, nem o cobre-corrente, mas estava andando.
    Hoje, passados 26 anos após eu ter ganho aquela bicicleta, lembro com muita saudade das tardes em que eu passeava por Santa Maria, muita coisa mudou de lá para cá, mas uma coisa guardei desse tempo: ficar vagando pela cidade, descobrindo ruas, casas, atalhos. Seja de carro, moto, ônibus, ou mesmo em uma bicicleta.
    Tive muitas bicicletas depois dela, mas nenhuma marcou tanto e deixou tantas boas memórias.

  7. Parabéns pelo Blog que passeando encontrei.
    Meu depoimento:

    Ganhei minha Monareta dobramatic azul da minha mãe no meu aniversário de 10 anos em 1970.
    Copacabana acabava de ganhar duas pistas na praia com a extensão da faixa de areia e eu ganhei um “calçadão” para brincar, mas não sabia andar de bicicleta, era dezembro, meus pais separados jamais se falavam; meu pai que nunca me visitava derrepente apareceu, fomos ao calçadão e ele com a mão no selim nos empurrava (eu e a monareta) até que percebí que pedalava sozinho. Ele foi embora mas agora eu podia voar e ninguém nunca podia tirar isso de mim.

    Minha monareta foi equipada com espelhos e buzina e logo entrei para uma turma que pedalava por toda zona sul. Grandes amigos eu fiz naquela época, alguns ainda convivo. Minha turma ia envelhecendo e tendo outros enteresses, como meninas por exemplo. Em 1975, depois de juntar muita mesada, comprei de um amigo a minha caloi 10 seminova. Assim, como todo menino ingrato, abandonei minha monareta que foi virando ferrugem no fundo da garagem, espero que alguém a tenha salvo a tempo.

    Meus pêsames pela morte de sua amiga em 2011.

    Não liga não, todo muleque é ingrato mesmo, mas é sem querer, ele está crescendo e não tem tempo pra “essas besteiras sentimentais”, você também, em algum momento na infância magoou seu pai, mesmo que não saiba disso.

    Sua história é muito bonita e você merece guardá-la. Não deixe ele saber da sua tristeza, ele foi ingrato como todo menino é. Mas foi sem querer Mesmo!

    Um abraço.

  8. ola bom dia que historia bonitas eu tabem tenho uma ano 71 toda original e uma verdadeira realidade nao tem preço realizei um sonho de infancia estou muito feliz de te-la adquirida ate mais um abraço.

  9. Minha monareta foi reformada e repassada ao meu irmão, depois pintada de rosa e repassada à minha irmã, mais tarde a primos e primas até que a perdi de vista. Tenho apenas uma foto em que eu estou com ela. Parece bobagem falar, mas naquela época, pelo menos para mim, foi um sonho de vida realizado. Já tentei recuperar a minha “biscletinha” (assim eu falava) mas não consegui.

  10. poxa, que estoria triste e alegre ao mesmo tempo.
    Meu pai nunca deixou eu ter uma, dizia que eu ia crescer e ia precisar de uma bicicleta maior. Vivi com esse sonho e depois de 23 anos ja com familia constituida,e um filhao de 6 anos , estou recontruindo uma sucata de monareta, Quero fazer como seu pai fez, passar para meu filhoe e pedir que continue esse gesto.
    pena que a sua se foi,..
    abração e parabens por cuidar de seu presente com dedicação . seu pai deve ter sentido muito orgulho.

  11. pois eu compraria outra e deixaria igualzinha, só pra mostrar pra ex e para o filho o tanto que eles foram descuidados…

    • Oi Fernando, não dá para substituir pois as histórias, os momentos felizes, enfim, tudo estava naquela bicicleta, que agora está registrada nas minhas memórias pra sempre. Um abraço.

  12. Amigo sei que o post é bem antigo, e que você estava bem saudoso da sua monareta, porém você deveria ter dado ela para o seu filho, só que ficado sob sua guarda, assim teria algo dele com você, e a partir do momento que ele ficasse maior e ou até adulto, ia saber dar o real valor, e desta forma estaria com vocês até hoje, você deu um presente para a tua ex te atingir só isto, coitado do seu filho deve ter sido influenciado por ela e pronto. abraço.

  13. Adquiri uma Monareta 80 toda original e esta em fase de restauração, crei que no final do mes ficara pronta, em seguida postarei alguma fotos pra voçes apreciarem

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